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terça-feira, fevereiro 14, 2006

Naquele banco, onde me sento bem 

Reise, Granada
Passei por aqui e lembrei-me que tinha um blog. Como o tempo passa, e talvez por hoje ser uma data importante (mas não, não pensem no Valentim) cá me tenha lembrado que hoje seria um bom dia para o assinalar no blog.
Entretanto, e mal a página se abre, agoniam-me as cores que antes me orgulhavam. O tempo passa, nós também mudamos e a vontade de sempre escrever mais e mais cedeu à falta de espaço temporal e perdeu-se nestes tempos em que também o real e verdadeiro sentimento se tem desvanecido. Ora que chatice, será que me tornei de vez uma mulher e que, afinal, as pessoas grandes são demasiado sérias, aborrecidas e nunca têm tempo? Que é feito de mim, uma (breve) eternidade depois? Onde estão as promessas de liberdade em que me construí? Onde estão as cuevas, a minha Granada em que amanhecida na loucura dos adolescentes treze anos? Onde estás tu, que já não te amas como te amavas? Que já não sentes como vibravas? E esses olhos, onde está o seu brilho e a sua confiança? A bondade, a recusa de preconceitos e, acima de tudo, a coragem? Por que te cansas agora nestes caminhos, atilhos, quando por outros escarpados não te cansaste de correr? Não descanses ainda, que este não é o teu pouso...

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sexta-feira, janeiro 06, 2006

Dr. Pedra ou a cura da picareta 

NOME

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito.
Exijo respeito, não sou mais um sonhador.

*Chico Buarque

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quarta-feira, outubro 19, 2005

Gritar pela vida 

Às vezes eu falo com a vida
às vezes é ela quem diz
qual a paz que eu não quero conservar
pra tentar ser feliz


de Annalisa CeolinAquilo que não se avisa chega com calma, silenciosamente e bem pensado. Vai-se abafando o ruído sentimental da instabilidade e recuperando a sanidade da razão. Na realidade, trava-se uma guerra turbulenta e perigosa para atingir a paz, não a paz cómoda da indiferença, mas aquela que é a única que nos pode salvar a tempo (sim, porque o tempo existe antes de olharmos para trás). Começa-se então por distinguir o bem do mal, limpa-se a poeira da peneira e reza-se para que o sol não tarde. À noitinha, fechamos as portas, as janelas e tentamos dormir um soninho descansado imaginando, infrutiferamente, a protecção do berço. E, se por um acaso, essa dor não cessa e a cama onde nos deitamos já não é aquela que por nós tem sido feita... é porque chegou, sem avisar, a hora de de gritar bem alto que estamos aqui, para os outros e para nós, de gritarmos sem medo para não ficarmos loucos.

*Maria Rita, Minha Alma
***Annalisa Ceolin

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sábado, outubro 08, 2005

Circunstâncias 

Há tanto tempo que não vinha aqui… Levantei-me e vim até à sala. Sai da cama com a vontade que me surge de quando em vez, com a vontade de escrever e de disparar palavras, insistir e insistir em deitar para fora o que às vezes me sufoca, com a vontade de acertar no alvo, com a vontade de libertar o que não tem razão de estar preso. Não tenho tido disposição para me levantar da cama nessas raras e deveras intensas alturas. Não porque elas não surjam, ora essa! Imagino se tivesse a possibilidade de escrever na cama, sem necessitar de um teclado e nem acender a luz… Chamam-lhe comodismo, sei lá. Também não interessa. Amanhã levanto-me cedo. Circunstâncias da vida.

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segunda-feira, setembro 05, 2005

PODER (-se-ia fazer muito mais!) 

Dir-se-ia que a civilização moderna é incapaz de produzir uma elite dotada simultaneamente de imaginação, de inteligência e de coragem. Em quase todos os países se verifica uma diminuição do calibre intelectual e moral naqueles a quem cabe a responsabilização da direcção dos assuntos políticos, económicos e sociais. As organizações financeiras, industriais e comerciais atingiram dimensões gigantescas. São influenciadas não só pelas condições do país em que nasceram, mas também pelo estado dos países vizinhos e de todo o mundo. Em todas as nações produzem-se modificações sociais com grande rapidez. Em quase toda a parte se põe em causa o valor do regime político. As grandes democracias enfrentam problemas temíveis que dizem respeito à sua própria existência e cuja solução é urgente. E apercebemo-nos de que, apesar das grandes esperanças que a humanidade depositou na civilização moderna, esta civilização não foi capaz de desenvolver homens suficientemente inteligentes e audaciosos para a dirigirem na via perigosa por que a enveredou. Os seres humanos não cresceram tanto como as instituições criadas pelo seu cérebro. São sobretudo a fraqueza intelectual e moral dos chefes e a sua ignorância que põem em perigo a nossa civilização.
Alexis Carrel, in 'O Homem esse Desconhecido'

Criança Geopolítica Assistindo ao Nascimento do Novo Homem

Criança Geopolítica Assistindo ao Nascimento do Novo Homem, Salvador Dali

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sexta-feira, setembro 02, 2005

Ausência 

Nem por sombras algum dia pensei que me faltaria a vontade de escrever, de procurar arte, de me entusiasmar com a busca da novidade, com a beleza de dentro e com a de fora. O que sinto é um vazio de sentimentos, uma bruta escassez de sensibilidade que embate sem dó nem piedade em quem não quero deixar de ser. Temo jamais emergir desta escuridão, desta quase profunda inacção perante o mundo que sempre julguei cheio de cores e cheiros e risos e tambores e mais alguma coisa que agora já não me lembro.

E o que mais me aflige é eu não morrer por isso.

Maggie Taylor, Twilight Swim
*Maggie Taylor, Twilight Swimming

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sábado, julho 30, 2005

Apatia 

Sarah April

EU, HOJE, ANDO ATRÁS DE ALGO IMPRESSIONANTE
QUE ME MATE DE SUSTO
UM DISCURSO, UM ROMANCE
QUE É PRA ME DESVIAR DESSE MAR DE CALMANTE
Adriana Calcanhotto

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