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segunda-feira, maio 31, 2004

Atitudi 

You gotta be... e aqui vou eu!
Espero chegar a casa mais contente do que saio. Finito.

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domingo, maio 30, 2004

Para ti, 

Estranho e duro amor
é o nosso amor, amante-amiga,
que não se farta de partir-se
e não se cansa de querer-se.
Amor
todo feito de distâncias necessárias
que te trazem
e de partidas sucessivas
que me levam.
Que espécie de amor
é esse amor que nos doamos
sem pensar e sem querer com tanto amor
e tão profundo magoar?
...

Affonso Romano de Sant'Anna, Poemas para a Amiga (Fragmento 7)
Vladimir Kush, Walnut of Eden



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A América que amamos 


Elena Getzieh

Não à América de Bush, Rumsfeld, Condolessa, Colin Power e Cheney.

Sim à América de Louis Armstrong e sua voz com verrugas, que alisa e acaricia nossas almas.

Não à América dos mísseis cruzando oceanos e explodindo casas e corpos de desprotegidos civis.

Sim à América de Walt Whitman, peito amplo, voz fraterna, poesia imensa, querendo amar o mundo inteiro nos seus versos.

Não à América dos torturadores hoje no Iraque e ontem dando cursos de tortura para militares latino-americanos no Panamá.

Sim à América de Marilyn, Elvis e James Dean despassarados corpos e desejos imolados no brilho veloz dos refletores.

Não à América que sai em cruzada medieval ao Oriente Médio para matar os sarracenos e preservar com bombas eletronicamente conduzidas o santo sepulcro da hipocrisia.

Sim à América de Truman Capote, Saul Bellow, Philip Roth, Ray Bradbury, Normam Mailer, Allan Ginsburg ou de Gore Vidal denunciando nos ensaios e romances o pântano moral da Casa Branca.

Não à América que a cada geração abre vastos cemitérios para seus jovens, com o pretexto de "freedom" e "democracy", quando são interesses econômicos e políticos que encomendam as mortes.

Sim à América de Herman Melville e seu fabuloso "Moby Dick" - a inapreensível baleia branca, dramatizando a luta e a conquista do impossível.

Não à América que vai caçar armas de destruição em massa no quintal vizinho, quando sua casa está entulhada até o teto de armas capazes de dizimar vários planetas

Sim à América de Hemingway em "O velho e o mar", de novo ensinando que na vitória está o fracasso e no fracasso a vitória

Não à América da Ku Klux Khan que tirou o capuz da cabeça e o botou na cabeça dos prisioneiros iraquianos e em Guantanamo revelando a dupla face do monstro americano.

Sim à América de William Faulkner que ao receber o Prêmio Nobel em 1950 já dizia que a tragédia de nosso tempo é viver numa atmosfera de medo, tão pesada que não podemos mais suportar.

Não à América de Bush que mente deslavadamente com o alucinado olhar de um tresloucado messias.

Sim à América de Nathaniel Hawthorne em "A letra escarlate" e Arthur Miller em "As feiticeiras de Salem" mostrando como uma comunidade imbuída de sentimentos salvacionistas pode levar sofrimento e morte aos demais.

Não à América de Bush arrancando gritos e lamentos dos nove mil presos que mantém pelo mundo afora tratando-os arrogantemente como ratos.

Sim à América de Ray Charles, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Chat Baker e todos os gênios do jazz americano improvisando sons novos e suavizando nossas almas com seus blues.

Não à América de Bush que reativou a velha fábula do lobo e do cordeiro e segue sujando de sangue as águas da nossa história.

Sim à América de Joan Baez e Bob Dylan que nos anos 60 saía às ruas e afrontava a estupidez das guerras e o tentacular poder de Washington.

Não à América que fez de cada americano um refém dentro de sua própria casa e fez do mundo inteiro refém do medo, por achar que a força resolve tudo.

Sim à América da imponderável Emily Dickinson, dos jogos verbais de Cummings ou da poderosa voz de Carl Sandburg falando da perplexidade do povo diante da História e num poema lembrou que houve um tempo em que o Czar tinha oito milhões de homens com fuzis e baionetas, que achava que nada poderia lhe acontecer e, no entanto, em 1914 e em 1917?

Não à América que transformou a morte alheia num jogo eletrônico e acha que pode invadir qualquer país quando bem lhe apetece e, de quebra, joga a ONU no lixo.

Sim à América daquelas atrizes que nos faziam adolescentemente sonhar com suas pernas e bocas, de Cid Charisse à Rita Hayworth, de Dorothy Lamour a Ingrid Bergman.

Não à América de Bush.

Sim à América que bailava com Gene Kelly, Fred Astaire e Ginger Rogers, que mergulhava em piscinas kitsches e encantadas com Esther Williams.

Não à América que expulsou Chaplin, que desempregou artistas e jornalistas no período maccarthista, que voltou aos tempos da censura e autocensura.

Sim à América de Luther King e de todos os mártires do racismo, antes e depois de Langston Hughes, antes e depois de Paul Robson, antes e depois de Billie Holiday.

Não à América de Bush, esse cuja família manteve negócios misteriosos com a família Bin Laden, o que mostra que estamos lidando com uma serpente de duas cabeças.

Sim à América de Eugene 0'Neill, quase tão alucinado quanto Nelson Rodrigues mostrando as vísceras de nossa alma e a América de Steinbeck mostrando as vísceras do país.

Não à América de Bush que troca a poluição do ambiente universal pelo enriquecimento de seus amigos texanos.

Sim à América de Henry Thoureau que estimulou a desobediência civil, que sonhou com um mundo em que a natureza fosse respeitada pelo homem.

Não à asfixiante América de Bush.

Sim à América do Grand Canyon, de Yosemith, daqueles cenários imensos dos filmes de caubói, pradarias, montanhas que enchiam os olhos de nossas adolescência

Não à América com discurso duplo e ambíguo falando de política liberal e praticando o protecionismo.

Sim ao chefe Touro Sentado que derrotou o general Custer em Rosebud e Little Big Horn e saiu pelo mundo em espetáculo itinerante com Buffalo Bill.

Não à América tenebrosa de Bush.

Sim à América de Edgar Allan Poe, tresloucado poeta, narrador assombroso, vasculhando os desvãos da perversidade humana.

Não à América dessas militares torturadoras que riem nas fotos gozando sadomasoquisticamente o que deveriam gozar de outro modo

Sim à América de Betty Friedman, Elaine Showalter e Germaine Green, feministas, com o dedo no gatilho, enfrentando os caubóis machistas na praça da aldeia.

Sim à América de Orson Welles denunciando o poder, a intimidação da imprensa e dizendo sobre as mentiras oficiais: "It's all true".

Sim à América das fabulosas bibliotecas.

Sim à América das revolucionárias pesquisas que melhoram a vida humana.

Sim à América de Gershwin e Cole Porter.

Sim à América de Edward Hopper.

Sim à América de Chomsky e Ralph Nader.


Não à América medrosa e embriagada de messianismo texano de Bush!

Affonso Romano de Sant`anna

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quinta-feira, maio 27, 2004

Escrever até encerrar 

Ora, então, muito boa tarde.

Em primeiro lugar gostava de pedir desculpas pela música que há quase uma semana existe no blog. Eu não a ouço porque não tenho colunas aqui, mas acredito que já deva fartar quem, por gosto ou vício, se decide visitar o meu blog com alguma frequência. Lá para Domingo eu mudo. Aconselho desligarem o som pois ela acaba por ser demasiado repetitiva.

Agora vamos ao que interessa... Não tenho lá muito para dizer, mas tenho muuuita vontade de escrever. Deve ser da mudança de ares, parece que isto me está a fazer bem!!!

Passei uma noite terrível. Tentei-me deitar cedo, fui para a cama e dei voltas e mais voltas. Levantei-me, fumei um cigarro, voltei para a cama. Já se ouviam os passarinhos... Levantei-me às 7 da matina, desejosa que fosse mais tarde, mas não, voltei para a cama. Pouco depois a minha querida mana levanta-se, recebe um telefonema, ri-se, toma banho de porta aberta, seca o cabelo mesmo ao meu lado... Tapei a cabeça com os lençóis e dormi mais um pouco. Quando realmente me decido a levantar de vez, tinha uma cabeça do tamanho de 12 e a má disposição pairava no ar.

Dediquei-me então a tratar um pouco do meu aspecto, que este fim-de-semana vai haver festa rija. Fiz a depilação e a dor de cabeça aumentou para o triplo, tomei banho e fui fazer o almoço.

Cada dia que passa cozinho melhor (palavras da mana). Penso que essa destreza e qualificação para a cozinha sempre se manifestou mas, infelizmente porque agora que tenho tempo para tudo uma vez que não faço nada, tem-se vindo a manifestar com maior capacidade de agradar a maior parte das bocas que convivem comigo e partilham da minha mesa. Por um lado é bom, já pensei em enveredar por um curso de cozinha, teria bons resultados, concerteza. Não, tenho a impressão que seria demasiado penoso cuidar do meu corpinho nessa altura, com a gula que tenho não seria só a cabeça que passaria para o dobro ou triplo do tamanho...

Depois, não interessa o que fiz depois. Não se pode contar.

Saio, tomo café, dou umas voltas e quando chego a casa, surprise - a mana já voltou e, melhor ainda, está a ver o "Ghost - Espiritus amoris" - que espectáculo!!!!!!!!! Incrível, enfiada entre quatro paredes sombrias, num dia de sol como este, a ver um filme sem piada nenhuma e quantas vezes já visto e revisto. Digo-lhe "Bora, vamos dar uma volta" e ela "agora não, está a ser muito interessante...". dá para acreditar?!? Borrifei-me nela e vim até ao vício...

Ai, e como me apetece escrever!!! Penso que hoje é um daqueles dias em que me dá a parvalheira, um daqueles dias em que só saiem da boca disparates de que só eu me rio, em que sou capaz de andar pela rua a cantar sozinha e com os pés meios desacertados... Ai, ai, ai... E agora lembro-me: estou com excesso de Yang. Quem percebe alguma coisa da filosofia oriental sabe do que falo. Não me lembro muito bem destes meus estudos enquanto aluna de medicina oriental, mas vou tentar explicar o que me lembro.

O Yin e o Yang são dois opostos, seja frio ou quente, vazio ou cheio, etc, etc. Todos os opostos, tudo na vida se desenrola com os opostos e estes complementam-se. O idela é haver um equilíbrio... Ora, quando alguém não dorme bem, não repousa a horas decentes, acontece-lhe um excesso de Yang e esse excesso pode-se manisfestar pela euforia interior ou física. Agora vamos lá nos lembrar daqueles que trabalham à noite, como os seguranças das discos, que normalmente até são pessoas um tanto ou quanto viradas para a violência, para o excesso... E não tenho tempo para mais nada. Vou a rodopiar até casa, abanar a sister e até breve.

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quarta-feira, maio 26, 2004

Extremamente Liberal vs Extremamente Conservadora 

Aqui estou eu de novo...Encontro-me novamente na Biblioteca Municipal desta terra ribatejana. "Credo, menina, como é capaz?!?".

Mudei de visual, cortaram-me o cabelo. Tá bem, mas como taurina que sou demoro a habituar-me a qualquer mudança.

Então agora vou dissertar um pouco sobre essa resistência à mudança:

A minha família sempre me achou uma pessoa demasiado liberal e eu até posso concordar até certo ponto. Não admito que falsos pudores e preconceitos impeçam alguém de viver à sua maneira.

Acredito não ser uma pessoa que crítique pelo gozo quem, por sua auto-recriação, se decida a construir a sua imagem que afinal é muito importante para qualquer pessoa se sentir segura. Melhor, eu preciso de gostar do meu aspecto para me sentir bem e, obviamente, cada um tem a sua prespectiva de beleza e essa deve ser aceite e respeitada por todos os outros. O que me irrita, profundamente, é a falta de individualidade e a imitação da moda do momento, seja em termos de vocabulário, indumentária, música, saídas nocturnas, etc...

Não suporto assitir a um filme e sentir que quem está comigo se ri sempre nas alturas em que me rio (mas sempre 1 segundo depois) ou que mandem papaias para o ar sobre determinado assunto sem possuirem as bases, que tenham vergonha de dizer que não sabem. O que me irrita mesmo é essa falta de humildade, esse penasr que se é e que se sabe tudo e é aí que considero que acho que sou um tanto ou quanto conservadora. Ora bem, agora analisando aquilo que em pouco tempo me é permito escrever no pouco tempo na biblioteca, acredito que existe falta de educação, de valores, de respeito... e essas falhas só se poderão colmatar quando se aplica uma boa educação e formação logo aos pequeninos - aos garotos torcer o pepino!

Eu acho que tive uma boa educação. Existem falhas que agora compreendo, mas eu não tive culpa de nenhuma delas, contudo sempre me incutiram valores que hei-de agradecer até ao final da vida. Quanto ao resto, tem que se perdoar...

Mas o que é que eles (ou nós) andam(os) a fazer ao putos hoje em dia?!?

Onde é que está o respeito pelos mais velhos, o desejo de aprender, a distinção entre o correcto e o incorrecto, o pensar com a cabeça de cada um???

É por isso que sou tão criteriosa na escolha de pessoas para conviver, normalmente não tenho muita paciência nem insisto quando me apercebo que estou melhor sozinha.

Faço nudismo, uso mini-saias que parecem cintos, gosto de dançar e de me mexer bem, sou apologista de drogas usadas com moderação... mas nunca dormi com alguém que conhecesse nessa noite, não sou menina de grupos, não ando a gozar com ninguém, sou amiga de qualquer pessoa pelo que ela é por dentro e não pelo que aparenta ser, tenho pouca paciência com as pessoas da minha idade, calo-me quando vejo que não tenho razão e barafusto quando me tentam pisar, sou persistente.

Resumindo e concluíndo que tenho de me ir embora, considero-me uma pessoa extremamente liberal em muitos aspectos e extremanente conservadora noutros... será isso possível ou anda a minha cabeça baralhada??? Eu gosto de ser assim mas acho que vou acabar sozinha porque ninguém tem paciência para aturar o meu feitio exigente e criterioso.

Até breve


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segunda-feira, maio 24, 2004

Vai-vem 

Vou-me embora de novo. Desta vez levo a password comigo, desta vez vou poder matar o vício.
Custa apenas não ter net aos dedos de semear... tentarei, apesar de tudo o que iimplica aceder à net de uma biblioteca, aparecer.

Este fim-de-semana passou num ápice.

Acabo por gravar mais de uma dezena de cds, música não irá faltar. Faltarão outras coisas, contudo acredito mais nas vantagens da partida do que nos benefícios do comodismo habitual. Ai pois é, ai isso é uma grande verdade, menina!

Sol. Movimento. Silêncio. Gente. Tranquilidade. Sossego alcançado com desassossego.



Elena Getzieh

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sábado, maio 22, 2004

Lar, não és doce, lar 

Voltei para casa. Não me vou deixar ficar muito tempo, tenho a impressão que venho só passar o fim-de-semana, aqui nada me prende.

Agora falando um pouco de Rio Maior, foi agradável lá ter estado. Não consegui atingir o objectivo primordial que me levou às terras ribatejanas, o estudo, mas consegui alcançar alguma PAZ. E o que é isso de PAZ? É não ouvir os cães a ladrar noite e dia, não ouvir os bêbados dos bombeiros a falar às três da manhã como se fosse meio-dia, é não ter a chata da mãe sempre a perguntar a que horas me levanto ou o que quero comer amanhã, é não ver os horrorosos e atarrancados meus vizinhos, é ter vontade de sair à rua e muito mais.

Ao chegar a casa e falar com a minha mãe contando-lhe exactamente isto, ela disse, simplesmente, que foi assim que eu cresci, numa cidade movimentada, onde se viam pessoas nas varandas, a passear os cães, a assobiar para quem passa lá ao fundo... enfim, cresci numa cidade não muito grande mas cheia de movimento e agora vejo-me metida num casarão lindo e velho, numa terra que é vila, de gente conservadora e demasiado religiosa, onde já desisti há muito de qualquer tipo de convívio social, principlamente com os "jovens da minha idade", etc, etc. Pois é e, além disso, é uma terra que não se desenvolve devido à sua proximidade com uma grande cidade e cuja animação cultural é nula. A única vantagem é a sua localização geográfica, em não muito tempo desloco-me a qualquer uma das grandes cidades portuguesas porque vivo num cruzamento de boas vias de comunicação. Conhecida por fogos, prostituição e droga, quando para cá nos mudamos diziam que andavamos nuas em casa (que anormalidade!!!!!), que era só homens a entrar e a sair, todo um tipo de boatos que fomos deixando de ligar ao longo dos anos... Muita fama, pouco proveito... Todos sabemos que as pequenas terras são assim e que não devemos ligar mas eu sinto-me triste por viver aqui, sinto que poderia fazer tanta coisa, que estou a perder oportunidades e a culpa é toda da merda do trabalho, melhor dizendo, da falta dele.

A minha casa é uma casa de mulheres, tenho pena é que ainda não se tenham apercebido que somos um clã: é difícil derrubarem-nos. Nenhuma de nós se conseguiu adaptar, acabamos por ter os nossos amigos espalhados por aí, sempre longe demais para aquele tocar de campaínha e a pouca família que aqui existia foi morrendo aos poucos. As manas andam de terra em terra, a fazer que estudam ou a trabalhar, ora vão, ora vêm...

Por isso é que digo que não faço a mínima ideia de onde irei viver no futuro (e que o futuro venha em breve, espero!), não tenho raízes em lado nenhum, já vivi em seis sítios diferentes e acho que apenas um deles me desperta saudade e talvez uma vontade de permanecer lá uns tempos mais longos. Não sei, não sei, que me apareça é qualquer coisa boa brevemente e o melhor mesmo é ser trabalho - aí as coisas mudarão, pelo menos terei a massa para poder cumprir alguns objectivos que são tão básicos. Viva o meu optimismo, viva, viva!!!!

Quanto ao resto, daqui a pouco, talvez, quiçá, provavelmente dentro em breve, escreverei.

E que tal se eu fizesse outro bolinho? Alguém é servido?

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segunda-feira, maio 17, 2004

"O bolinho cheira bem... é de quê?" 

Hoje portei-me muito mal. Fui uma grande marota e já estou cheia de remorsos.

Disse-lha que ía fazer um bolo e ela ficou toda contente.

Fartava-se de perguntar se demoraria muito a ser servido, notava-se que estava desejosa e estava deslumbrada com o cheiro doce a canela, maça e banana.

Quando lho pus no prato disse que era um bolinho especial, que continha algumas coisitas lá dentro. Ela não acreditou. Então repeti e disse-lhe que não lhe aconteceria nada demais.

Logo ela, "Vê lá como é que eu vou ficar, tenho uma série de trabalhos para concluír hoje; ainda tenho muito que trabalhar esta noite...".

"Na te preocupes, mãe, isto não te vai fazer mal nenhum. Está bom? Então come, vai-te saber e fazer bem!".
Mael, Hitch
Conselho: Nunca dês estupefacientes a elementos da tua família com idade superior a 55 anos...
(importante: as suas primeiras experiências não se devem realizar em dias de trabalho)

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domingo, maio 16, 2004

A Vagina 

Imogen Cunningham, Magnolia Blossom

É cálida flor
E trópica mansamente
De leite entreaberta às tuas
Mãos

Feltro das pétalas que por dentro
Tem o felpo das pálpebras
Da língua a lentidão

Guelra do corpo
Pulmão que não respira

Dobada em muco
Tecida em água

Flor carnívora voraz do próprio
suco
No ventre entorpecida
Nas pernas sequestrada.

Teresa Horta


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sábado, maio 15, 2004



Morales Mengotti

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oh béu  

Tem mais de sete meses. Mal nos apanha a jeito corre e salta para o nosso colo. Sofregamente começa a mamar. Quando a tentamos retirar logo busca novo pseudo-mamilo para se satisfazer. Não dá descanso e nem sei se dá gozo vê-la tão desejosa e satisfeita (parece!!!) ou se me dá pena...

Às vezes aborrece-me ter uma gata constantemente em cima de mim, às vezes, às vezes... e esta, esta é uma delas, grrrr!!!!!!!

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sexta-feira, maio 14, 2004

O
nosso
verdadeiro lugar
de
nascimento
é
aquele
em que
lançamos
pela
primeira vez
um olhar de
inteligência
sobre
nós próprios.


Marguerite Yourcenar
Sarah Moon, Paule M., 1996

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Para ti,  

Belo rabo, estavas mesmo delicioso, seu prof jeitoso...Se sempre que vais pró campo ficas assim, quero-me tornar o calhau que guardas no bolso... hum!!!

Para quando a entrega das fotos???

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quinta-feira, maio 13, 2004

Pode-se?!? Desculpe a intromissão, mas... 

o kifo do rifo provoca melodioso tifo, eh eh eh!!!...

Já estou a recuperar desta amarga situação de perda... já se passaram dois dias que regressei. Hoje já sorrio, habituo-me comodamente à condição de antes, assimilo outros ares menos aprazíveis mas contudo que me fazem sentir em casa. Também é bom sentir-me em casa.

Há sempre alguém dentro de mim que me faz pensar um pouco, me faz pensar naquilo que me faz falta e a isso chamo saudade, já diz o outro há algum tempo...

Hoje já tenho vontade de recomeçar, de batalhar por fazer alguma coisa pelos tempos que vêm, hoje senti necessidade de ter um futuro, de por de parte a ideia habitual do "depois logo se vê" ou "amanhã, amanhã...".

Tá certo que não fiz nada! mas pelo menos já saí, ainda viajei uns quilometrozitos, vi muita gente, senti a vida delas, a correria em que se moviam e foi bom. Tratei já de ir buscar peças de puzzle perdidas por carros que não lhe davam melhor destino que eu lhes posso oferecer e decidi ir dar mais uma volta, desta vez até a Rio Maior e visitar a maninha. Vou pra semana, sem cães, pc, obrigações, za bara dara ta ta, deixo tudo cá!..

Sempre é mais um tempo de descanso, pelo menos a doida da Stone não vou ouvir ladrar noite e dia e deve dar, (não, de certeza que vai dar!) para estudar. Sim, estudar. Será que é desta que me deixo lá ficar se entrar??? É uma grande merda se não, já seriam demais as vezes que deixo o canudo a ver navios. Ou será que fui eu quem ficou a ver navios?!? Na...

Nada de importante, o que sabe mesmo bem é sentir este sol às onze da noite, eh eh eh...uma cobra que te abençoa e te abre o caminho.

Vladimir Kush, Nero

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quarta-feira, maio 12, 2004

Nú mundo quero-té 

Sinto-me emparedada num mundo que se diz livre, num mundo em que manda a cor do dinheiro, o cheiro poluído do progresso, sabores artificiais…Aqui as pessoas são limpas mas fedem a intrigas, mesquinhices, pudores hipócritas…

Faltam-me a essência: aqui só tenho acesso às superficialidades ocidentais, ao luxo, consumismo desmesurado….Que grande perda é uma pessoa, de um dia para o outro, se encontrar aqui, que tristeza!!!! Que gente tão feia e tão preocupada com a sua beleza!!!! E o pior é que se vai assimilando, pouco a pouco, a merda que nos rodeia…

Porque é que ninguém aparece para me levar para fora, levem-me daqui que eu estou-me a atrofiar toda neste mundo de cão!!! Não quero saber disto para nada; vou ter que arranjar um esquema qualquer ou qualquer dia olho para trás e vejo que já não tenho tempo para fazer tudo o que não fiz.

Entretanto, aceitam-se propostas para ir por aí sem prazos ou rumos, alguém que esteja sem fazer nada ou que queira fazer umas viagens por aí em trabalho, reconhecimento, absorver culturas diferentes, enfim, dar aí umas voltas baratitas…Que tal? Sabe bem?



SOLTA A alegria! Que fique desatada!
Esquece a ânsia que rói o coração.
Tanta doença foi assim curada!
A vida é uma presa, vai-te a ela!
Pois é bem curta a sua duração.

E mesmo que tua vida acaso fosse
De mil anos plenos já composta
Mal se poderia dizer que fora longa.
Que seres triste não seja a tua aposta
Pois que o alaúde e fresco vinho
Te aguardam na beira do caminho.

Que os cuidados não sejam de ti donos
Se a taça for espada brilhante em tua mão.
Da sabedoria só colherás a turbação
Cravada no mais fundo do teu ser
É que, de entre todos, o mais sábio
É aquele que não cuida de saber.

Al Mutamid

Auguste Rodin, NIJINSKY

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terça-feira, maio 11, 2004

Salamaleque!!! 

Salam!!!

Marruecos, alentejo 2004, cascais batata-frita, plástico fantástico, sr.escandalo e madame tranquila, fixe radical!!!... amigo bacalhau!!!

hotel goa, chefchaouen, assilah, chefchaouen, kifo do reef, archacha da flor e umas bolas de outra cor, tajin vegetables e cuscus vegetables, té de hortelã-pimenta, triga-milha e muita laranja, morangos, crepes com mel, biscoitos de noz, amendoim e amêndoa, medina e banho turco, burros e cordeiros, gatos, muitos gatos.

"portugal? lisboa ou porto? eu tenho muitos amigos em portugal...conheces o rui, o miguel, o luís...?" Ahmed e Abdul...shukram!!!

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segunda-feira, maio 03, 2004

Aqui vou eu cheia de pica 

Até breve.

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11 

Já me desfiz e refiz, pedaços de mim existem em toda a parte. Mas não me rendi a um saudosismo que não adiantaria em nada, é assim que a vida se faz e toca a olhar em frente... mas as saudades existem e acredito que se mas ajudares a matar, será uma das maiores alegrias da minha vida, obrigada.


E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
Nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a vida nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos corpos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.


David Mourão Ferreira


Só acredito quando estiver no carro... por favor, não te desmarques, seria como se roubasses o bombom mais gostoso à menina que não come doces há uma série de tempo.

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granada explosiva 



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domingo, maio 02, 2004

O dia seguinte 


Edvard Munch, The Day After


...desde a alta até à baixa nunca encontrou rival...

Então e aquela mancha avermelhada que estava hoje no chão da sala que não era sangue, não era tinta, era uma obra de arte e não se sabe quem foi o artista?... Só mesmo à mangueirada...

...não comporta o copo inteiro!!!

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Prestar atenção 

Aconteceram-me tantas coisas esta noite...

O que foi bom?...algumas coisas.

O pior?... não digo!


O melhor, a sério, a sério...o nascer do sol.

É fogo calmo, todos os dias nasce, tão poucas vezes lhe presto atenção... fiz uma hora de caminho, a conduzir, ouvia lemon jelly, estava algo bebida e assisti àquela magnitude de luz que é um dos momentos mais belos e, contudo, indiscritíveis para qualquer post.

Apetece-me e não consigo. Não me é possível descrever esse nascer. Apenas posso dizer que é solitário e grande. É sempre grande, sempre. É sempre grandioso, faças o que fizeres, estejas com quem estiveres, não interessa... não interessa absolutamente NADA, só o nascer.

Durma ou aproveite bem quem estiver acordado agora, quem estiver a acordar... que ninguém feche os olhos ou tape os ouvidos aos sons da manhã...

Nasce todos os dias...e em quantos desses dias está alguém verdadeiramente atento?

ps - os pássaros não parecem desta selva.

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