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quarta-feira, junho 30, 2004

O chão 



Regresso. Nacional. Hoje não custou, talvez seja o excesso de Yang que torna excessivamente energética interiormente, enquanto que o que peço ao corpo não recebe resposta. Sim, o cansaço dá-me energia interior- incrível, não é?

Foi realmente gratificante o que se passou ontem em Coimbra. A cerimónia foi um pouco aborrecida mas pelo valor que ela teve foi deveras aprazível ter ficado com dores nas costas! Felicitei quem mereceu, após anos de trabalho árduo, e também eu regozijei confirmando, mais uma vez, que quando os dias são importantes para quem nós gostamos, esses também são os nossos dias.

Produtivo dia, comemorativa a noite... Estive com muita gente que me levantou a moral em relação às perspectivas de futuro, senti-lhes o gosto que tiveram em me rever e... senti numa série de amigos homens os olhares assanhados...

Lá, numa casa de gente adormecida pelos excessos alcoólicos, desabafei e ouvi os conselhos de quem é Amigo em cima de 2 mantas no chão da cozinha em que dormiríamos - e como é bom faltar-nos o colchão para darmos valor ao chão de uma noite destas!!! Em contrapartida, o meu amigo também decidiu voar, mas literalmente voar, tirar um curso de piloto. Diz ele que não tem NADA a perder ou a prendê-lo e eu concordo apenas com isso. Todavia, não fui capaz de lhe a força...lembrei-me de Ícaro e dos voos altos demais. Talvez seja egoismo da minha parte, se calhar é a mim que me faz falta voar, se calhar também me deveria faltar o chão para aprender a voar...

Muito mais se disse, sobre ele, sobre mim... E a par dos momentos alegremente passados durante todas as horas que estive à beira do Mondego de Pedro e Inês, as palavras não se cansaram, repetidamente se atropelaram, levantaram e continuaram, num caminho mais longo do que aqueles em que costumo viajar! Dir-se-ía que não segui por nenhum atalho para me aperceber que tenho que tomar uma atitude relativamente a vários campos desta vida.

Tomei uma decisão e os versos que me fizeram companhia durante a viagem de regresso - incessantemente e com uma força tal que durante o caminho foram várias as vezes em que disse bem alto: "É urgente o amor, é urgente um barco no mar..." - foram a manifestação louca e ansiosa dessa sentença.

Tou à espera de quê??? Não estou a viver, estou a deixar passar o tempo...quero mais VIDA, Sinto-me desaproveitada, tenho tanto para dar...quero receber, trocar, assimilar, partilhar, AMAR.

Quando deixa de ser Presente para ser Futuro? É JÁ!!!!!!!!!!




Rene Magritte, Canção do Amor

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade


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terça-feira, junho 29, 2004

calor 

Ufa! Que calor!!!

Fazer uma viagem de 1 hora pela nacional às 13h da tarde é só para quem sabe que vai tomar banho mal chegue ao destino. Esta é ou não uma sábia reflexão?

Arranjar lugar para estacionar em Coimbra, debaixo deste calor e perto da Universidade é só para quem decidiu trazer o carro.

E por aí em diante...os dedos tremem e, como se está a ver, não sai nada de jeito desta cabecinha ansiosa. Apenas tinha vontade de teclar um pouco, sem preocupações sobre o sentido das frases ou sobre a essência daquilo que digo. Tou nervosa e chega. Estou contente e isto está-me a dar a volta à barriga.

Mais verdades, ou ficamos por aqui?

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Para ti, que gostas de calhaus 

desejo-te um dia especial... e uma vida mais descontraída daqui em diante!!!

Palram pega e papagaio
E cacareja a galinha;
Os ternos pombos arrulham;
Geme a rola inocentinha.

Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar;
Fazem às vezes gorgeios,
Às vezes põem-se a chilrar.

Bramam os tigres, as onças;
Pia, pia o pintainho;
Cucurica e canta o galo;
Late e gane o cachorrinho.

Muge a vaca; berra o touro;
Grasna a rã; ruge o leão;
O gato mia; uiva o lobo,
Também uiva e ladra o cão.

O pardal, daninho aos campos,
Não aprendeu a cantar;
Como os ratos e as doninhas
Apenas sabe chiar.

A vitelinha dá berros:
O cordeirinho, balidos;
O macaquinho dá guinchos;
A criancinha vagidos.

Relincha o nobre cavalo;
Os elefantes dão urros;
A tímida ovelha bale;
Zurrar é próprio dos burros.

O negro corvo crocita;
Zune o mosquito enfadonho;
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.

Regouga a sagaz raposa
(Bichinho muito matreiro);
Nos ramos cantam as aves;
Mas pia o mocho agoureiro.

Chia a lebre; grasna o pato;
Ouvem-se os porcos grunhir;
Libando o suco das flores,
Costuma a abelha zumbir.

A fala foi dada ao Homem,
Rei dos outros animais,
Nos versos lidos acima
Se encontram em pobre rima,
As vozes dos principais.


Agora que já ficaste a saber como os outros se expressam acredita que te seria mais difícil zunir, regougar ou grasnar o trabalho.

E toca a sorrir!!!



Kristy Campbell


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segunda-feira, junho 28, 2004

As cores do dia 

Como recompensa pelo inconveniente mas desejado regresso, decidi postar algumas fotos e partilhar com todos o dia atarefado.

Quando saí de casa, o céu brilhava...

de AYTAC AKINCI

A praia estava assim:

de Eduardo Didonet

E eu fiquei...bem colorida:

de Jim Loy

Agora que já tomei uma banhoca, o sol já se pôs eu fiquei assim(- assada):

de PIERRE THOMAS karkau

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Vou só ali colorir um pouco e venho já 

Por motivos profissionais, este blog encontra-se encerrado.
Logo que se dê o ocaso (previsto para as 21.12 minutos) e seja possível colorir a paisagem da seguinte imagem, o blog receberá continuidade.


paloma madinabeitia, Relaxin Beach

Pede-se desculpa a todos os viajantes pelo inconveniente.

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Se eu soubesse ler as estrelinhas 

O meu grande problema são os atalhos que tomo...

como são sinuosos e íngremes os percursos do meu mundo,
estradas cheias de buracos e pedras,
furo um pneu, parto
uma perna... são atilhos,
nós cegos em que desatar é árduo e penoso,
tantas vezes doloroso...
são cordas de forca,
às vezes tiram-me a força e fico
indecisa entre voltar para trás ou seguir
em frente, às escuras.
Não tenho rumo, ando perdida,
deixei a bússola algures e não sei ler as estrelinhas...

eu tenho medo de me perder,
pode não parecer...
mas também tenho fé,
ainda não estou fraca,
apenas acho que sou muito nova para estar já cansada,
preciso de sombra,
preciso de água,
preciso de qualquer coisa que não estou a conseguir encontrar.
Para que alvo alquímico deverei eu apontar?

Será qual o sentido da minha vida?

Faz algum sentido esta falta de equilíbrio?

O que é que eu faço, se só eu posso encontrar o meu caminho?

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domingo, junho 27, 2004

Todos os petiscos do mundo 

Quis o destino que eu fosse parar a dois metros das águas do Mondego e assim aconteceu. Pela madrugada rumei até perto dele, desejosa de o rever, penosa por os abandonar...

Tal não foi a espiritualidade da coisa que, ao entrar no prédio e após subir as escadas, me enganei no apartamento e fui ter à porta da vizinha... Não me lembro se toquei...mas tinha logo que ser a porta "daquela" vizinha?!? Não me lembro se toquei...e se toquei, toquei-lhe mesmo!!! Ai, ai, ai...mas também ninguém o mandou subir e descer escadas, passear-se por outros andares, que toques malfadados são acontecimentos imprevistos!!!
Entrei e reparei que estava possesso... por que seria? Não vou divagar, prefiro deixar andar... deve-se perdoar quem anda aflito com razão (não que alguma vez eu deixe de acreditar no seu sucesso), e para consolá-lo...fui-me deitar - "fica aí a acalmar!". A tensão passou quando ele me acordou, qual tensão, qual te..., que a gente hoje perdoa a má disposição!!!

O meu amor é lindo, é um grande Homem porque tem medo de falhar mas jamais se deixa acomodar, bonito por dentro e por fora, de cima a baixo. Vai ser capaz de se superar no dia D, como em todos os dias de todos os alfabetos do mundo e eu, eu ter-lhe-ía cozinhado a açorda, cozinhar-lhe-ía todos os petiscos do mundo, um por um... mas às vezes o barulho dos tachos é ensurdecedor, às vezes parece-me que mais vale deixar queimar tudo de uma vez...


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Fome de (a)mar 

Tantas vezes perco a noção de quem sou...


Emanuele Merlo, Red Sea

Regressarei às origens...dentro de 30 minutos (ou 30 Km de alcatrão!...).


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São alhos, são ilhos, são atalhos e atilhos... 

Permitam-me agora partilhar
A grande Ode Ceia no Simões
Se se sentirem a fervilhar
Para a próxima não fiquem a coçar os ‘olhões!!!



Levei comigo a imaginação
Profunda, funda, funda…
Então conheci a São
E fiquei passada com a sua bunda!

Cruzei-me com uma Orca,
Mas que grande animal…
Já conhecia o Llorca,
Faltava-me um outro fundamental!

O Jorge Costa fala pelos cotovelos,
E é menino de excelente voz…
Não fosse a falta de cabelos,
Nenhum Ferrari seria mais veloz!

O J.F. tem uns olhos de pureza
E é um companheiro de viagem…
Notava-se logo a sua riqueza
Deve ter maravilhado aquela carruagem!

Ao meu lado tudo foi Incomensurável
Ouviu-se bem aquele rugido!..
É para a vida um tigre admirável,
Aquele predador aguerrido!

Isso Agora da estupefacção
Deve-se dar um desconto…
Nota-se que é um fedelho cheio de acção…
Por isso, acrescentemos-lhe já mais um ponto!

A Gotinha sempre apareceu
E trouxe com ela o Goto e o KomiKaga
Qual de flor gineceu?...
Eles são a límpida madrugada!

E assim…

Meti-me pelos atalhos
Enquanto temia por sarilhos…
Dei de cara com aqueles aralhos
Que no meu fundão já são atilhos!



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sexta-feira, junho 25, 2004

futeli(ci)dade 

Pois é... chegar a casa sabe bem!...
Depois de três horas à seca no veterinário e após voltar a casa e trazer a Tosca para uma transfusão de sangue amistosa, depois de regressar sem dinheiro para o diesel, depois de tanta emoção inesperada ao sabor de um bushmills e, certamente depois da festa em que abandonei todos e na qual alguns me festejaram...na festa em que me vi sem dinheiro, tabaco, telemóvel, casaco, nada, nada (e pior, a mãe é que tinha tudo...), eis aqui a menina que não gosta de futebol, que não é fã do Eddie, a menina que não tem nada a ver com esta celebração a dar-se por muito satisfeita por ter se deixado de merdas e ter gritado: Viva Portugal!

Tamara Loncar-Agoli
,She smiles

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quinta-feira, junho 24, 2004

De quem depende a Primavera? 

Já estou lá dentro! Vou voltar a estudar! Nem será necessário exames...eu tenho cá uma sorte!...

Tenho a impressão que a crise já se começou a desvanecer.

Hoje (mais do que em qualquer outro dia em que não sinta o imbatível SPM), sou alguém cheio de esperanças, optimista e que se imagina a desencalhar em breve. Ainda há muito para nascer e acredito que recomeçou o meu período fértil. Quero encher erva fresca todos os campos da minha vida porque agora confirmo que a Primavera depende só de mim. Oxalá venha para ficar...era bom que eu atinasse com alguma coisa.

Vou voltar a estudar! e como me vai fazer bem usar este raciocínio preguiçoso e destreinado, acomodado à infeliz quase inactividade, consequente do abandono da busca do conhecimento específico mas, contudo, uma pequena e importante fracção de um todo chamado vida!!!

*Mo Enasni, Drinking Cherry blossoms

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quarta-feira, junho 23, 2004

gramas  

De manhã, ao acordar...de noite, antes de adormecer. Brincar é acalmar, é não esquecer. Se tivesses vindo ter comigo, eu emprestava-te o estetoscópio e despia a bata. Mas não vieste e então deitei-me na maca e fingi que gritava de dor quando afinal eram gemidos de prazer aquilo que mais ninguém ouviu.
(antes ainda comi 1 corneto de chocolate, 1/2 crunchy, 1 laranja, 1 maçã, 1 fatia de pão de alho, 1 fatia de weetabix com leite e mel)
Vem depressa, vem porque estou faminta, vem cozinhar em banha de amor, vem enquanto as gramas da carência ainda não pesam.

Shelby Koning, lost in the forest of your memory

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terça-feira, junho 22, 2004

Toca a mexer!!! 


Anne Worbes


Vencer a preguiça é a primeira coisa que o homem deve procurar, se quiser ser dono do seu destino.
Thomas Atkinson


E agora vou combater esta minha negativa caracterítica com um pouco de exercício aos nadegueiros, ou...



Jan Saudeck, Portrait of my friend Hannelore

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Para ti, 

...queria-te ao pé de mim.



É urgente eu beijar essa boca, mas eu espero que primeiro a uses naquela sala cheia de gente (note-se que ninguém a deseja como eu!).

Anseio por essa língua que te fará brilhar as palavras do conhecimento e tremo por saber que mais tarde a mesma deslizará pelos trilhos do meu corpo expelindo sentimento.


*Andy Warhol



Minha mente é só desejo:
Minha boca clama pelo teu beijo,
Meu corpo pulsa pelo teu toque,
Meu ser estremece pelo teu olhar.

Eu sou,
inteiramente,
lua,
nua,
tua.

Desejo acima de desejo
Corpo sustentando corpo
Alma comportando alma.

Tu
infinitamente
no meu
íntimo...

Nós dois
Inebriantes
Na dança do amor
A tocar
A sentir
A gozar
Na explosão do depois...
Jan Saudeck, Oh, The Virgin Els!
Ana Pozza, Inebriantes na dança do amor

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Previsão do estado da vida para os próximos tempos 

I must create a system, or be enslaved by another man's.
William Blake


Misha Gordin,Crowd

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segunda-feira, junho 21, 2004

Reconsiderar 

Meus amiguinhos, começo a pensar que deverei reconsiderar voltar à Universidade... aos estudos superiores. O meu único problema é a preguiça, essa, só de me lembrar que terei que passar uns anitos a estudar, dá-me a volta ao estômago. Quem me dera estalar os dedos e já ter o raio do canudo na mão. Talvez a Universidade Aberta seja o ideal para mim: trabalho ao meu ritmo e adapto os horários que melhor me convierem e assim, sem dar por ela, termino o curso.

Fui à entrevista, nem quero acreditar que poderei vir a conviver com aquela gente tão competitiva e tão medíocre (atenção, que há gente capaz e em todo o lado) num ambiente de pura futilidade a ganhar uma miséria.

Acho que qualquer trabalho é honesto e quem trabalha merece todo o respeito. Quando desisti de estudar fi-lo porque acredito que ter um canudo na mão não é um factor decisivo para a minha realização profissional. Continuo a não crer, mas a verdade é que com a sorte não devemos contar e custa-me ver um futuro tão miudinho pela frente.

Vamos lá ver agora a outra entrevista...sempre me sinto mais realizada a dar formação, não é verdade?

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Vou jah 

Vou para ume entrevista...não é nada de importante, mas a verdade é que estou a começar com aquele nervoso miudinho... Desejo-me boa sorte!

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Biarritz 


Salvador Dalí, The Great Masturbator

Fui até à praia, à praia dos nús (como vulgarmente costumo chamar) e confirmou-se que os homens são autênticas bestas insaciáveis e desrespeitadoras da privacidade até de uma senhora de meia-idade que não pratica o nudismo. Como habitualmente, mirones não é estranho encontrar na Biarritz, mas tão descaradamente e entusadamente não é normal!!! Não é que hoje, enquanto eu e a minha mãe nos deliciavamos com o aprazível sol e com o som ondulante do mar, um desgraçado se veio meter a uns cinco metros de nós?... A praia é grande, não havia necessidadezzz... E lá punha ele os calções, lá os despia, andava para trás e para a frente, abria e fechava a mochila... ganda tóto! Havia outro...esse passava mesmo rente a nós mas não olhava descaradamente...o que era mesmo descarado era o tamanho do seu sexo, quer dizer, não tenho bem a certeza se era ele que reparava mais em nós ou nós naquilo dele...

Os machos hoje andavam tolos, parece que nunca tinham visto nada assim, todos a olharem! Tantas vezes lá vou e até estou habituada aos olhares, mas tinha que ser logo hoje que a minha mãe foi comigo que eles tinham de ser tão indiscretos?!? É que depois quem ouve sou eu:
"És uma depravada, não tens pudor nenhum! Para quê que vens para aqui??? Provocas..."
E eu penso: "Provoco?!? Então eles é que passam ao meu lado, eu não chateio ninguém, não me meto com ninguém... e eu é que sou a depravada?!?"
É por essas e por outras que já decidi que não posso ir até lá sozinha. E quando digo sozinha não quer dizer acompanhada pela Tosca, porque a Tosca só mete medo ao longe. Digo sozinha mesmo.

No dia dos meus anos decidi ir para a praia e fui até Biarritz. Cheguei lá e estava um nevoeiro que impedia uma visão clara a mais de cem metros. Estavam poucas pessoas e só homens. Enfim, a praia estava quase deserta e mal nos víamos uns aos outros. Mas o problema não era deles, era meu porque eles não têm medo de ser atacados (acho que eles até gostariam de ser "atacados") mas eu preferia estar num sítio onde pudesse sentir que, caso precisasse de ajuda, poderia pedi-la. Não sei que raio iriam fazer para tão longe aqueles que passavam...Como não me sentia à vontade, pus a trela à Tosca e fui para uma praia com mais gente. Cheguei lá, de monokini vestido e, descansadamente, estendi-me na toalha a gozar o aniversário "à minha maneira". Não é que passado algum tempo reparo num homem, a uns 30 metros de mim a praticar a masturbação!, descaradamente fixado em mim e quase sujar a areia sobre a qual o meu nascimento estava a ser celebrado e invadindo o meu direito a um pouco de paz para gozar este mundo a que dou tanto valor e no qual pratico o respeito a todos o(s) próximo(s)?.. Mudei de sítio e, quando dei por mim lá estava ele, o sr.contentinho da vida. Enrolei-me na toalha e esperei que o mê migo chegasse e foi impossível negar que aquela situação não mexeu comigo.

Há uns anitos trás também tinha me tinha acontecido uma situação semelhante e garanto que não é nada confortável nem tão pouco seguro ter que aturar as taradices sexuais de homens que aparecem do nada - como se de repente te apercebesses que não estás sozinho... Quanto ao passado dia de anos, após reflexão sobre o que ocurrera cheguei à conclusão que, de uma forma ou de outra, existiu prazer na minha vida desse dia. Pode não ter sido compartilhado ou tão pouco desejado ou regozijado por mim (foi até um pouco assutador), posso ter sido usada mas o prazer andou por lá.....

Marisol Léon

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sábado, junho 19, 2004

Reconhecer 


Salvador Dalí, Design for "Destino"


Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.


Miguel Torga

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Burro velho aprende línguas........mas muuuuuito devagarinho!!!!

"-Então diz lá, como se chamam os sites onde se podem fazer pesquisas?
- Google!
- Sim, e há outros... que nome se dá a isso?
- Sapo."

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sexta-feira, junho 18, 2004

Nun abrir e num fechar de olhos 

Passados quase 3 dias sem poder aceder ao maravilhoso e viciante mundo da informação, hoje respiro o ar que esta janela aberta me possibilita. Parece impossível, é inadmissível!!!

Como ando sem vontade de ler, hoje passei esta tarde cinzenta deitadinha no sofá a fazer um zapping televisivo. Que grande chatice de programas que passam: na televisao nacional só há programas para velhotes, na sic notícias só há notícias, no Odisseia só vida selvagem, no História apenas 1 em cada 5 documentários não me dá seca ver, no Discovery irrita-me aquele sotaque brasileiro e por aí em diante... Que raio de informação ou entretenimento dão eles a quem passa o dia sem sair de casa. Imaginem agora as pessoas que estão constantemente em casa o que acabam por comer! Claro que a realidade para elas é o que passa na tv e acreditam piamente em tudo o que ouvem... Claro que tenho mais pena de quem, por motivos de doença, se vê forçado a assistir a esta cultura medíocre por se encontrar num hospital e por aí em diante...




Agora mudando de assunto para coisas mais alegres, bem hajam os Zuco103!!! Que maravilha!!! Aquilo é que foi curtir e tenho a certeza que foi recíproco, eles também adoraram cá estar. Voltaram duas vezes e mais ainda queriamos nós. A vocalista é um amor e o guitarrista também era muito sorridente...e jeitoso! Foi muito melhor do que pensava. De início julguei que um concerto destes ao ar livre não obteria o sucesso que se veio a confirmar. Quando vi Zap Mama no Palácio de Cristal aconteceu o contrário e tenho que admitir que o som soa melhor em cd... Mas Zuco103 foi fantástico!!! Quero mais!!!


Claro que já saí do recinto com uma pica do caraças e bora lá beber mais umas cervejas! Aveiro estava cheia de estrangeiros e tudo muito animado. Tantos sorrisos que saíam disparados e acertavam, indiscriminadamente, em todos. Então e aquela inglesa a imitar o guitarrista dos Deep Purple com um violino em cima de uma mesa?.. ganda tola! Foi bom sentir aquela energia toda, mesmo que por causa do futebol. Fez-me lembrar a minha terra, sabe-me bem ouvir outras línguas além da minha nas ruas e ainda melhor praticar o meu inglês que já fluiu com maior clareza quando a prática era uma constante. Agora, com estes sarroncos em redor, cada vez falo pior e, infelizmente, muitas vezes já a língua mãe vira madrasta...


Chego a casa sã e salva, durmo e o raio da ressaca não me deixa repousar o que devia. Abro a janela e o tempo está cinzento, hoje não houve praia (também não faz mal, a minha cor já inveja a maior parte das pessoas, eheheheheh!!!). Deito-me no sofá e...não tenho nada que fazer... Vou tentar mudar o pneu do meu coche e...não tenho força para desapertar as porcas (grandes porcas!!!). Não fiz nada durante o dia e... naõ farei nada á noite! Hoje não vou para a farra, que não pode ser todos os dias, guardo-me para amanhã.


É verdade!!! Recebi duas propostas para trabalhar: a primeira para dar formação no IEFP em Julho e a segunda para trabalhar numa loja de gajas no horário da noite. Vou aceitar as duas, pelo menos para o mÊs de Julho. E em Agosto é que vai ser...acho que mereço umas férias depois de trabalhar um mês, não é? É que verdade seja dita, tenho estado numa espécie de férias forçadas, mas como não tenho tido dinheiro para nada acabo por me stressar em casa e isso merece uma recompensa!!! Vou meter férias em Agosto pelo stress que passei durante sete meses sem fazer nenhum em casa!!!

E há mais novidades quanto ao trabalho e ao futuro, mas essas ainda são segredo, estão guardadas em família, mas se se vierem a concretizar...upa, upa!


img nº1 e img nº3 de Cynthia Tom

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Grrr 

Quase 3 dias sem net...e um arraial à porta de casa com o Miguel Ângelo: matem-me, s.f.f.

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quarta-feira, junho 16, 2004

Irresistíveis 

Fui! Não resisti e fartei-me de dançar!!! A dor nos pés não me impediu de saltar e abanar o que havia a abanar... Estava um pouco pesada, principalmente sem a cerveja a que me neguei sem dó, mas Fanfare foi irresistível!!! Por último, quando eu e o meu amigo que se tinha que levantar cedo viemos embora, os músicos desceram e vieram tocar para o meio do pessoal; os quotas eram uns doidos, nem vos digo!!!

Imagino como será viver num país em que a música tradicional é tão alegre e em que se sente o bichinho que afecta todos e de qualquer idade. Vejamos o Brasil com o samba e todas (bastantes) as suas formas de expressão musicais, ou aqui a nossa vizinha Espanha com o flamenco. Imaginem agora a Mariza a descer o palco...não dá para imaginar. Eu aprecio bastante fado, talvez (de certeza) por ter assitido várias vezes, desde pequenina, aos fados que se cantavam no antigo restaurante do meu pai. No início não gostava, mas com a idade fui-me apercebendo que aquela música me fazia vibrar de emoção e assumi e declarei-me uma amante do fadinho. Desde que ele vendeu o restaurante (2 anos) nunca mais ouvi fado ao vivo - não existe muita gente que conheço que me queira acompanhar nessa viagem.

Quanto a Fanfare Ciocarlia, bem hajam!

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terça-feira, junho 15, 2004

Maleitas mensais 


Diego Rivera,Fuerzas Subterráneas


Se estou cansada... Isto de ser mulher dá dores por todo o lado....raios partam o período!!!

Antes vem o mau humor, a sensibilidade levada ao extremo, a impressão de que tudo corre mal.

Depois o sangue, as dores, as borbulhas (vá lá que nem são muitas), o cansaço.

Não aguento, isto dá cabo de mim. Antes tomava a pílula e tomei-a durante tantos anos que, realmente, não me causava mal-estar esta história mensal. Depois, veio a paranóia da esterilidade e resolvi parar. Mas...que se lixem as paranóias, benditas sejam as hormonas da anti-concepção!...

Fui para a ginástica e não houve muito rendimento. Primeiro o calor, depois a água estava quente, agora os meus ricos pézinhos...ai, ai, ai.

Fanfare vai estar esta noite por estes lados, há tanto tempo que sabia, já tinha combinado, mas qual quê? Não dá. Morreu o meu corpo aqui neste maple.

Quanto ao resto, foi um dia feliz , ontem a noite também foi buena...é bom sentir o que senti, acho que é amor. Mas agora, amor teria que ser adiado, eu só queria umas massagens nos pés. Era tão bom...

Outra coisa que me fez feliz, e muito, foi saber que também foi um dia feliz para alguém de quem gosto muito, que houve novidades importantíssimas e se, por causa delas vou ficar 15 dias a seco, não vou me amargurar, que valores mais altos se levantam...e também porque o período só voltará daqui a 1 mês. Maldito seja!!! Melhor, daqui a 3 semanas vou estar novamente mal humorada e hiper-sensivel mas isso é daqui a muuuito tempo e eu nem quero pensar nisso. ~

Só estou a dizer disparates, tenho consciência disso, as ideias não passam melhor para o post porque parece que tou toda drogada e na verdade não estou nada.

Ah, é verdade, ontem fui ver o Má Educação, do Álmodovar. Como habitualmente, gostei, embora estivesse à espera que fosse mais forte. Vale sempre a pena, contudo acho que ele também podia variar um bocadinho algum tipo de personagens, se bem que nesta película não podia variar muito. Ai meu deus, só saem disparates. Agora é que me vou.

Outra coisa, é uma tristeza estes nossos jogadores, eu nem aprecio futebol, mas caramba, parece que a Grécia nunca tinha ganho um jogo!!!

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segunda-feira, junho 14, 2004

espelho 


Christopher Schneberger

I'll be your mirror
Reflect what you are, in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you're home

When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you

I find it hard to believe you don't know
The beauty that you are
But if you don't let me be your eyes
A hand in your darkness, so you won't be afraid

When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you

I'll be your mirror


Lou Reed


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Quanto ao resto, 

...ao que me preocupa, estou cansada e confusa.

Amanhã nascerá novamente o sol, talvez a claridade do dia me acalme e me traga novidades.

Boa noite a quem estiver por aqui, perto de mim.

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domingo, junho 13, 2004

Agora fora de brincadeiras, 

foi bom ou não foi bastante bom o que, mesmo podendo ser melhor, aconteceu neste dia, nesta terra, neste país, e o que poderá vir a acontecer no amanhã em que já nos encontramos?



Quem se día, quem se recusa
quem procura, quem alcança
quem defende, quem acusa
quem se gasta, quem descansa
quem faz nós, quem os desata
Quem morre, quem ressusita
quem dá a vida, quem mata
quem duvida e acredita
quem afirma, quem desdiz
quem se arrepende, quem não
Quem é feliz, infeliz
quem é, quem é coração.


José Saramago


Apesar da abstenção, só posso estar é satisfeita. Foi um dia em cheio. Era bom continuar, sempre a crescer, devagarinho, e com força!... que a gente tem voz para se fazer ouvir!


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Aparece!!! 

Votem!!! Ajudem-me a passar este dia sem que dê por ele...
Estou desde as 7 da manhã a trabalhar. Levantei-me àquela magnífica e diariamente singular hora da manhã em que me dá gosto estar acordada.

Levanto-me, arranjo-me e ponho-me a caminho. Chego atrasada (para variar) e ainda tenho que ir arrumar mesas e varrer (que pouca vergonha!!!).

Verifico os documentos e parto em busca de um café, não sem antes cumprir o meu dever cívico. Volto para a mesa.

Chega o primeiro cliente, algum tempo depois o segundo e quando vim para o almoço eram poucos mais de 50 aqueles que tinham ido cumprir o seu dever cívico.

Tá mal, srs. políticos, parece que têm de mudar de estratégia, talvez um pouco mais de seriedade?... Credibilidade?...

A mesa que me coube é uma mesa de jovens eleitores ou de pessoas que mudaram à pouco de residência, pode ser que apareçam lá para a tarde, depois da praia e das filas intermináveis para voltar para casa. Talvez. Sinceramente, eu não acredito.

Acho mais é que poucos são aqueles que se importam com quem se senta no parlamento europeu...nem sequer se importam quem se senta no trono de Portugal... Qualquer dia estamos numa ditadura de novo e eles nem se apercebem. Ou será que se apercebem mas como ainda não lhes toca DIRECTAMENTE tão-se pouco borrifando.

Só sei é que quando os eleitores já votaram desejo-lhes um bom Domingo e eles retribuem com um sorriso. Devem pensar "Pobrezita, tantas horas sem fazer nada e eu vou mas é curtir prá praia...".

Post Scriptum - Tou cheia de curiosidade para saber de que partido são os meus colegas...

Post Scriptum 2 - Tenho televisão na sala...

Post Scriptum 3 - Tou inchada, farta de comer e não me mexer (acontece o mesmo em viagens longas de automóvel)

Post Scriptum 4 - Quero ver se às 20.30 já tou safa.

Post Scriptum 5 - Se por acaso o teu nome constar no meu caderno eleitoral, não deixes de aparecer - o país, a europa e eu agradeçemos movimento (movement)!!!

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sábado, junho 12, 2004

...tá bem, eu vou só ali pastar e volto já! 


Almor Loucao, Estou de Olho em Ti!
OLhares.com

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palavra de luxo: amor... 

Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.

Não é
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

Adélia Prado
Sandy Skoglund

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terça-feira, junho 08, 2004

a idade de ser feliz 


Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.







Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.







Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.






Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.






Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.



Mário Quintana

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bou! 

Ladies and gentlemen, the President of the United States:


‘Ariel Sharon, de Israel, é um homem de Paz.’

‘Os habitantes da Grécia são gregos.’

‘A grande maioria das nossas importações vem de fora do país.’

‘Se não triunfamos, não temos êxito, corremos o perigo de perder.’

‘O futuro será melhor amanhã.’

‘Temos de ser os mais bem educados da América no mundo.’

‘Temos um firme compromisso com a NATO, somos parte da NATO. Temos um firme compromisso com a Europa. Somos parte da Europa.’

‘Para a NASA, o espaço é uma prioridade.’

‘Sinceramente, os professores são os únicos profissionais que ensinam os nossos filhos.’

‘Não é a poluição que está a destruir o ambiente. São as impurezas no ar e na água que o estão a fazer.’

‘É tempo para a raça humana entrar no sistema solar.’



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segunda-feira, junho 07, 2004

saudades do futuro 

Qual é a diferença entre acordar há 7 meses e não ter nada para fazer e acordar hoje e não ter nada para fazer? 7 meses...

Nem para uma puta de uma loja de roupa me chamam.... Tento nos cafés?!?

Odeio esta terra, este país de merda, esta gente. Estou desesperada. Não tenho alegrias na minha vida. Não tenho trabalho, não tenho amor, não tenho amigos perto, não tenho dinheiro, não tenho nada que me faça feliz pelo menos durante dois dias seguidos. Tudo aparece e se desvanece em poucas horas. Tudo é artificial, superficial, nada é duradouro na minha vida. Sinto-me só. Passam as semanas e eu continuo só. Passam os meses e a diferença entre acordar antes e acordar agora é a estação do ano. Agora há sol, mas não há nada de novo debaixo deste sol. Quando penso no que fiz na semana passada e na outra, e na outra, e na outra...tenho tão pouco para contar. É tudo tão suave lá fora, cá dentro ocorrem terramotos de diferentes graus, em cada pedaço de terra que tenho dentro de mim tudo treme e isto, esta vida sem sentido, os destroços consecutivos, um por um, o trabalho, o amor, o ter tempo para fazer tudo e não ter nada para fazer é um inferno.

Nem como voluntária me querem... Porquê? Tenho que começar a acreditar no Karma e que nas outras vidas devo ter feito muita merda, devo ter sido uma peste. Devia ter reencarnado num animal, talvez num dos meus cães.

País de merda, gentinha de merda, país de favores e de "tá-se bem". País de aparências e de pouco sumo, da história da vizinha e da mulher na cozinha. País da falsa moral e do "ai eu não percebo nada disso, nem me interessa...".

Não estou só farta de gajos que me querem comer, nem de amigos que levam a vida a fumar charros, nem de não ter dinheiro para ir ver os concertos e os teatros que vão acontecer este mês ou comprar uma saia nova.

Não estou só farta de ter sonhos e o tempo me ir despindo e, uma a uma, ir destapando as rugas do desalento.

Não, o que eu estou é farta de me perder nos caminhos que tomo, desorientada no vazio, cheia de nada.


Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.

Eu não tinha que ter esperanças - tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.


Alberto Caeiro, Guardador de Rebanhos, XVI


img - Maggie Taylor, Woman Holding Horse

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vou, vais, vai, vamos... 


Jeffrey Becom, Running Girl, Lagos

Oh no
Here comes that sun again
That means another day
Without you my friend

And it hurts me
To look into the mirror at myself
And it hurts even more
To have to be with somebody else
And it's so hard to do
And so easy to say
But sometimes
Sometimes you just have to walk away
Walk away

With so many people
To love in my life
Why do I worry
About one

But you put the happy
In my ness
You put the good times
Into my fun
And it's so hard to do
And so easy to say
But sometimes
Sometimes you just have to walk away
Walk away
And head for the door

We've tried the goodbye
So many days
We walk in the same direction
So that we could never stray
They say if you love somebody
Than you have got to set them free
But I would rather be locked to you
Than live in this pain and misery

They say time will
Make all this go away
But it's time that has taken my tomorrows
And turned them into yesterdays
And once again that rising sun
Is droppin' on down
And once again you my friend
Are nowhere to be found
And it's so hard to do
And so easy to say
But sometimes
Sometimes you just have to walk away
Walk away
And head for the door
You just walk away
Walk away

Ben Harper, Walk Away



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domingo, junho 06, 2004

Quanto aos beijinhos no focinho, o que vai variando ao longo dos anos é o animal!..

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Acorda que se faz tarde 

6.29.

A noite não se adivinhava assim... foi inesperada, boa...como sempre as melhores são assim!...

Desistir, afinal, nem sempre é voltar para trás...

Agora chego a casa, bebo o whisky apetecido e remato a noite ao som do que me vai aparecendo. Nesta altura da noite, ou da madrugada, ou mesmo da manhã, sou única. Sei que no espaço que me rodeia ninguém está alerta. Sou eu quem está vivo. Estou viva. Os outros? Que me interessa os outros?!?... Agora não, este é o meu momento, é meu, meu.

Quantas vezes mais terei oportunidade de me gozar? De chegar a casa, descansadamente, ouvir um sonzinho, acender uma, ir até ao quintal e dar um beijos no focinho das cadelas, calmamente limpar o ar fresco da manhã com o ardor de uma noite bem passada?

Pergunto-me porque tanta gente se deixa adormecida às 6.37 da manhã...

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sábado, junho 05, 2004

desistir 


Lærke B. Posselt


Desisti. Fui até meio do caminho. Custou-me estar sozinha. Comprei uma flor para mim. Voltei para trás. Desisti.

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partir 


Lærke B. Posselt, Histoire rêvée

"...este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar."

Ary dos Santos, "Meu Amor, meu Amor"


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Cinzento 

Que dia tão triste...

Pedaço de madeira de um barco naufragado,
Flutuo na mais cinzenta imensidão

(E às ondas frias peço terra firme
E ao vento que não me leve para longe...)


Shelly Corbett, Nicole

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sexta-feira, junho 04, 2004

...vida boa 

Ontem fui fazer exames para vir a ser dadora de medúla. Já que estava em Coimbra, aproveitei e passei novamente pelo Instituto de Sangue para ver se era desta que poderia doar o meu sangue. Já tinha tentado duas vezes, mas não tinha hemoglobina suficiente. Desta vez, pude doar e não custou mesmo nada.
Quando acabaram de me sugar o sangue perguntaram-me se estava bem e eu, armada em boa e convencida que sou forte, disse, toda animada, "sim, isto não custa nada...". Ao sair, e depois de comer, ía para acender um cigarrito e o enfermeiro aconselhou-me a, pelo menos durante a hora seguinte, não fumar nada. Tudo bem. Passado 15 minutos acendi o cigarro, enquanto conduzia e fui buscar um amigo. Passamos pelo Continente e, qual não é o meu espanto, quando tive uma quebra de tensão brutal que até ía caíndo no chão. Fez-me lembrar as quebras de tensão que tenho algumas vezes por consequência de fumos fortes, mas esta foi mesmo brutal. Agora iamgino o que seria se ainda estivesse a conduzir... Coimbra está em obras, há um trânsito do caraças com filas intermináveis, andam todos loucos para passarem à frente uns dos outros... que sorte que tive. E, claro, não sou nada forte!!! É para aprenderes, aninhas. Mais tarde explicaram-me que deve ter sido do cigarro mas eu só queria era fumar! Mal cheguei ao rio e me vesti com os calções de gajo que ele me emprestou, fumei logo dois cigarros de seguida e mandei um ganda mergulho naquela água castanha. Ah, vida boa...

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Ter medo que a música cesse 

Que música escutas tão atentamente

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.

Eugénio de Andrade

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Os nomes que cada um dá ao seu cavalo... 


Angelle, dix fois merci à amandin lapin


Ela já voltou. Ela sabia que iria voltar assim, triste, mas levava consigo a esperança de que voltaria sorrindo.

Antes de ir escreveu-lhe uma carta. Sabia que a atitude correcta seria não ir, escreveu-lhe as razões da desistência mas após o desabafo agarrou-se à esperança, guardou aquelas palavras e pôs-se a caminho.

Ás vezes pergunto-lhe se ela é feliz, diz-me "sim...".

Não lhe invejo a sorte... pensava que voltava a sorrir e chegou tão tristonha! Não há nada melhor do que sabermos que o amor que sentimos é reciproco. Espera ela que ele um dia apareça num cavalo chamado "amo-te"... A vida não é um conto de fadas, minha amiga...

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Capitão Romance 

- És um brinquedo.
- Boneca insuflável ou caozinho a pilhas?
- Boneca a pilhas!...

Boa, Capitão Romance!!!!

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quarta-feira, junho 02, 2004

passamos nós pelos dias ou passam os dias por nós? 


Elena Getzieh

Ontem passei o dia a tentar arranjar trabalho... hoje fui para a praia!
Ontem levantei-me às 9h...hoje às 12.30h!
Ontem estive com a X...hoje também!
Ontem comprei fruta e legumes frescos...hoje tabaco!
Ontem comi croquetes de cereais...hoje também!
Ontem andei de bicicleta...hoje também!
Ontem usei uma saia comprida...hoje uma mais curta!
Ontem esfumaçei...hoje também!
Ontem pensei em ti...hoje também!
Ontem falei muito ao telefone...hoje nada!
Ontem usei a caneta no papel...hoje não!

Ontem aconteceu muito mais, e hoje também.

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terça-feira, junho 01, 2004

Lua 

Mordo o lábio, sim... estou a morder o meu lábio, agora. Sentada no maple, as pernas cruzadas, pele com pele. O cabelo molhado e no corpo uma blusa e uma saia, apenas. Fui ao café comprar tabaco sem roupa interior e os bicos dos peitos provocaram olhares indiscretos, como se soubessem que também não trazia nada por baixo. Estou sozinha em casa e o meu coração bate mais rápido do que o normal. Continuo a morder o lábio...e deixo-me ir.

Levanto-me, vou até à janela e à minha frente descubro que ela está quase cheia.


Boazona, gorduchinha, és linda de morrer!...

Gosto de te ver, de te admirar essas formas redondinhas. Estás longe e eu nunca te iria visitar, mas um dia hás-de me contar, em segredo, porque me fazes explodir assim, porque o teu luar me faz ir à lua e voltar.

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Ela vem chegando... 


Peter Schudel, Gasse

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exausto 


Pascal Renoux, Endormie


Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.

Adélia Prado

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