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terça-feira, agosto 31, 2004

Reserva para dois 

#madlen23

Vem até mim
Aparece por trás, silenciosamente,
Tapa-me os olhos
Beija-me o pescoço até eu suspirar
Morde-me os músculos até eu ganir
Prende-me as mãos atrás das costas
E rasga-me a blusa, sobe-me a saia
Lambe-me, arranha-me, desliza com força as mãos
Pela espinha, pelo rabo
Puxa-me os cabelos
Afasta-me as pernas
E penetra-me até eu guinchar
Até eu ter a certeza que estás aqui

(A distância é um estômago vazio
Que reserva mesa no dia X às horas Y)

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segunda-feira, agosto 30, 2004

Até à tua última migalha 

Sean Hopp, The Secret Anatomy of Thomas Head
De agora em diante, já não precisamos de separarmo-nos dos nossos entes queridos. Sabemos que eles permanecem no nosso coração, mas agora também a cara do nosso pai, as mãos carinhosas da nossa avó, o sorriso laroca do nosso melhor amigo, aqueles caracóis do fiel caniche, os olhos do namorado ou os lábios da amante podem permanecer connosco até ao limite porque existe, finalmente, uma forma eficaz de minimizar a nossa dor pelo seu desaparecimento.
Quando alguém de quem gostamos passar "o outro lado", basta contactar a SeeMeRot.com, e teremos oportunidade de o ver apodrecer lentamente e em directo. Pelos vistos, a empresa assegura, através de uma câmara de vídeo colocada no caixão daquele que partiu, uma boa imagem e o serviço integral, ou melhor, compromete-se a transmitir todas as fases de putrefacção do nosso ente querido.
Arrepiante, não é verdade? Estes americanos são fantásticos!!!

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domingo, agosto 29, 2004

sub-sub xerife 

Agon Qeta, Buraco Amarelo
Hoje estou muito satisfeita… e até nem costumo regozijar-me com as desgraças dos outros, mas este mereceu-a bem!
Existia, lá no meu trabalho, um “sub-sub-chefe” que andava sempre a mandar as suas “boquinhas” sobre a nossa postura, a conversa, a apresentação e por aí em diante (enquanto nem tudo o que ele ditava era capaz de cumprir).
No outro dia, e além de eu já não andar nada satisfeita com este moderno tipo de escravatura, um chefe telefonou de Espanha e quis falar comigo. Tal não foi o meu espanto quando me repreendeu por uma vez, poucos dias depois de ter começado a trabalhar, me ter sentado no sofá? Disse-me até que se fosse com ele, eu teria sido despedida... E mesmo tendo estado, em carne viva, na loja no dia anterior, só foi capaz de me dar o arrogante e ameaçador raspanete por meio de uns fios telefónicos, atitude essa que eu costumo apelidar de cobarde. Bem, mas isso não interessa; o que interessa mesmo foi que o chibo foi o sub-sub-chefe (que já me havia repreendido quando me surpreendeu a descansar no sofá - loja vazia e colegas a quem tinha sido pedido para avisar acaso aparecesse alguém...) que, apesar de o assunto já (pensar eu) estar resolvido e esquecido, foi-lhe contar. Ora, que atitude tão reles e baixa!... E pensei eu "não lhe direi nada porque ele é tão nojento que ainda pode fazer pior mas, a partir de hoje e até eu me mandar em breve, nunca mais me verá o branco dos dentes!".
Pois não é que eu hoje chego ao trabalho e soube que o gajo foi despedido por fumar charros dentro da loja e emprestar as chaves do armazém a um amigo para os engates?
O pá, adorei!!! A sério, é mesmo bem feita!!! A vida acaba por ensinar estes cabrões, não é necessário igualarmo-nos a esta gentinha cometendo vinganças e entrando em cinismos ou jogos medíocres… pena é que muitas vezes a vida tarde a justiça, mas ela acaba por se fazer, de uma forma ou de outra!
Quanto ao "sub-sub", aos "subs", aos chefes e a todos aqueles que exercem poder sobre os outros, era bom que se apercebessem que toda a gente merece respeito e que, no fim de contas, todos dependemos uns dos outros...

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quinta-feira, agosto 26, 2004

Vénus assimétrica 

Jan Saudek, The Virgin Michéle


- Quero mostrar-te uma coisa, antes que te assustes...

- AH!!!

- Rapei-os todos e descobri que não sou simétrica!

- Ai não? Deixa cá ver isso...

- Humm...

- Humm...





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terça-feira, agosto 24, 2004

Mercadoria duvidosa 

bem-vinda à realidade

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segunda-feira, agosto 23, 2004

Quanto mede o teu peixe? 

Pascal Renoux, Fish
Não como carne há cerca de um ano e meio, salvo um presunto de Monchique muito de vez em quando. Claro que não sou extremista, ou melhor, se for convidada não me recusarei a comer carne ou sequer passarei fome por não haver mais nada para consumir... Tomei esta decisão depois de ter apanhado uma intoxicação (com feijões) e, desde aí, além de me preocupar mais com a qualidade dos alimentos, comecei a interessar-me ainda mais pelas implicações na saúde do homem e na do ambiente.
Em contrapartida, como bastante peixe e adoro! Peixe, marisco, entra tudo...
Hoje, vagueando pela net, encontrei na DGPA os tamanhos mínimos para a pesca.
Todos devíamos ter em atenção este importante aspecto, para que os peixinhos bebés possam tornar-se grandes peixes e ter mais bebés e, assim, contribuir para a manutenção das cada vez mais escassas reservas piscatórias (já basta a malha das redes, os arrastões, a poluição...).
Aqui fica uma lista com os meus peixes preferidos e as suas medidas. Agradeço que a tomem em consideração e, principalmente, que se lembrem dela quando um dia me convidarem para um manjar:

- Salmonete 15 cm
- Besugo 18 cm
- Pargo 20 cm
- Robalo 36 cm
- Corvina 42 cm
- Carapau 15 cm
- Linguados 24 cm
- Rodovalho 30 cm
- Bica 15 cm
- Sargo 15 cm
- Espadarte 125 cm / 25 kg

E adeus aos jaquizinhos, sff!!!


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domingo, agosto 22, 2004

Importas-te de não demorar? 

Atordoada pelas saudades crescentes,
meu corpo todo se ouriça à tua procura.

Léa Waider

Egon Schiele, Embrace


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sexta-feira, agosto 20, 2004

Pelo caminho, pensei em... 

Chip Simons
"Como serão em privado as pessoas que conhecemos?
Quanta surpresa se o soubéssemos. Porque nós, instintivamente, tendemos a julgá-las idênticas dentro e fora de si. Mas o que somos por fora é o que aceitamos que o seja e é o que os outros estabeleceram. Tal fanfarrão na praça pública pode ser um chilro piegas quando lá não está ou um medricas quando a coisa é a sério (Não dizia Aristóteles que os grandes atletas eram maus soldados?). Ou inversamente. O que aceita para si a imagem exterior de um mole, de um tíbio, de um encolhido de comportamento - no interior de si, e quando for caso disso, pode ser um obstinado de dente rilhado.
Há um estilo de se ser que se adopta por convenção generalizada, orientação de uma época, obrigação protocolar no modo de nos manifestarmos."

Vergílio Ferreira

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quinta-feira, agosto 19, 2004

Não, por favor, não... 

ANTHONY DIFATTA, Corporate Baby
As fobias, os medos irracionais cuja origem reside no nosso inconsciente, impedem-nos de sermos ou de nos comportarmos de uma maneira lógica e racional. Em determinadas alturas, entram em funcionamento e bloqueiam-nos por completo ou fazem-nos reagir sem controlo.
Normalmente não há uma causa visível ou uma explicação, mas até podemos lembrarmo-nos de algo como sendo a causa...mas a verdade é, que se a fobia existe é porque existe também uma razão e enquanto essa não for descoberta e "eliminada" não fará desaparecer das nossas vidas estes temores.
Muitas das fobias cresceram da nossa infância ou de acontecimentos traumáticos e criam-nos um medo inconsciente (e intenso) de voltar a passar pelo mesmo, e que se traduz em sofrimento. Dizem os entendidos que estas podem também ter sido criadas aquando se era bebé, na altura do nascimento ou mesmo em situações stressantes sofridas pela mãe grávida…

Há 3 tipos principais de fobias:

- a social, que se traduz pelo medo de nos expormos a outras pessoas que se encontrem em pequenos grupos;
- a específica, desencadeada por uma situação ou objecto concreto;
- a agorafobia, relativa aos espaços abertos e às multidões.

Eu não me reconheço em nenhuma fobia, posso afirmar que, até à data, só me “passo” com aquilo que procuro com gosto…
Da lista que se segue, incrivelmente encurtada, escolhi aquelas fobias que não imaginava existirem...pode ser que assim ajude alguém a dar um nome à sua “panca”. Ora, tomem lá atenção…


Ablutofobia - medo de lavar-se ou de tomar banho
Androfobia - medo dos homens
Aliumfobia - medo do alho (vampiro???)
Alectorofobia - medo das galinhas (…do có có ró có có???)
Aritmofobia - medo dos números
Apeirofobia - medo do infinito
Anuptafobia - medo de ficar solteiro
Angrofobia - medo de ficar zangado
Automatonofobia - medo dos bonecos dos ventríloquos, estátuas de cera, criaturas animadas
Aulofobia - medo das flautas (???)
Autofobia - medo de estar só
Atazagorafobia - medo de ser ignorado ou esquecido
Assimetrifobia - medo das coisas assimétricas

Balistofobia - medo dos mísseis ou das balas
Batofobia - medo da profundidade
Bibliofobia - medo dos livros (os putos de hoje em dia…)
Bromodrosifobia ou Bromidrofobia - medo dos odores corporais (chega-te para lá!)

Carnofobia - medo da carne
Caliginefobia - medo das mulheres bonitas (será possível?)
Cibofobia ou Citofobia ou Citiofobia - medo da comida
Cronomentrofobia - medo dos relógios
Crometofobia ou Crematofobia - medo do dinheiro
Ciberfobia - medo dos computadores ou de trabalhar com computadores
Coulrofobia - medo dos palhaços
Coprofobia - medo das fezes
Coitofobia - medo do coito
Clinofobia - medo das camas
Colpofobia - medo dos genitais, particularmente femininos
Catisofobia - medo de se sentar
Catagelofobia - medo do ridículo
Cainofobia - medo de qualquer coisa que seja nova
Cipridofobia ou Ciprifobia - medo das prostitutas ou das doenças venéreas

Diquefobia - medo da justiça
Didascaleinofobia - medo de ir à escola
Dextrofobia - medo dos objectos que estão do lado direito do corpo
Demonofobia - medo dos demónios
Dementofobia - medo da insanidade
Deipnofobia - medo do jantar
Decidofobia - medo de tomar decisões
Dromofobia - medo de atravessar a estrada

Eurotofobia - medo dos genitais masculinos
Erotofobia - medo das questões sobre sexo
Ergofobia - medo do trabalho
Ereutrofobia - medo de corar
Epistemofobia - medo do conhecimento
Emetofobia - medo de vomitar
Eleuterofobia - medo da liberdade
Electrofobia - medo da electricidade
Eclesiofobia - medo da igreja

Fasmofobia - medo dos fantasmas
Fobofobia - medo das fobias
Filofobia - medo de se apaixonar ou de estar apaixonado
Filemafobia ou Filematofobia - medo de beijar ou dos beijos
Fagofobia - medo de engolir ou de comer ou de ser comido
Fármacofobia - medo dos medicamentos e drogas

Ginefobia - medo das mulheres
Gimnofobia - medo da nudez
Grafofobia - medo de escrever à mão
Genufobia - medo dos joelhos
Genofobia - medo do sexo
Geliofobia - medo das gargalhadas
Gamofobia - medo do casamento

Heterofobia ou Sexofobia - medo do sexo oposto
Hedonofobia - medo de sentir prazer
Hafefobia ou Haptefobia - medo de ser tocado
Hagiofobia - medo dos santos ou das coisas sagradas
Homofobia - medo da monotonia ou da homossexualidade ou de se tornar homossexual
Hipnofobia - medo de dormir ou de adormecer
Hipengiofobia ou Hipegiafobia - medo da responsabilidade
Higrofobia - medo dos líquidos
Homilofobia - medo dos sermões
Hierofobia - medo dos padres ou das coisas sagradas

Itifalofobia - medo de ver, pensar ou ter um pénis erecto
Isolofobia - medo da solidão, de estar sozinho
Ideofobia - medo das ideias
Ictiofobia - medo dos peixes

Loquiofobia - medo de dar à luz
Logofobia - medo das palavras
Logizomecanofobia - medo dos computadores
Ligirofobia - medo do barulho
Laliofobia ou Lalofobia - medo de falar
Lacanofobia - medo dos vegetais

Medomalacufobia - medo de perder a erecção
Menofobia - medo da menstruação
Melofobia - medo da música
Megalofobia - medo das coisas grandes
Medortofobia - medo de um pénis erecto
Mageirocofobia - medo de cozinhar
Metifobia - medo do álcool
Mnemofobia - medo das memórias
Microfobia - medo das coisas pequenas
Metrofobia - medo da poesia
Metatesiofobia - medo das mudanças

Oneirofobia - medo dos sonhos
Oftalmofobia - medo de ser olhado
Oneirogmofobia - medo dos sonhos molhados
Oenofobia - medo dos vinhos
Octofobia - medo do número 8

Parafobia - medo da perversão sexual
Pogonofobia - medo das barbas
Pedofobia - medo das crianças
Papafobia - medo dos Papas
Peladofobia - medo das pessoas carecas
Patroiofobia - medo da hereditariedade
Pediofobia - medo das bonecas
Partenofobia - medo das virgens ou de raparigas novas

Quinofobia - medo da raiva
Quionofobia - medo da neve
Ranidafobia - medo dos sapos e rãs

Siderofobia - medo das estrelas
Socerafobia - medo dos sogros
Singenesofobia - medo dos familiares
Scriptofobia - medo de escrever em público
Stenofobia - medo de coisas ou lugares estreitos
Stigiofobia - medo do inferno
Sociofobia - medo da sociedade e das pessoas em geral
Selenofobia - medo da lua
Sesquipedalofobia - medo das palavras compridas (????)

Telefonofobia - medo dos telefones
Tanatofobia ou Tantofobia - medo da morte ou de morrer
Tapinofobia - medo de ser contagioso
Tacofobia - medo da velocidade
Unatractifobia - medo das pessoas feias
Urofobia - medo da urina ou de urinar



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quarta-feira, agosto 18, 2004

Cromos do liceu 

fotocommunity

- A tua cara não me é estranha. Conheço-te de algum lado... já sei! estudaste no Colégio?
- Sim...
- Ah, então é de lá...

Mais tarde, ao chegar a casa, lembrei-me daquela obra de arte chamada anuário e, quando o folheei, não vi a sua carinha catita por lá. Em contrapartida, aqui a menina aparecia em cada ano com uma foto diferente, com as suas moradas actualizadas, com expressões igualmente díspares. Foi uma pequena viagem no tempo, e fartei-me de rir!

No dia seguinte, vou ter com ele (que é colega de trabalho) e pergunto-lhe se não entregava ele as fotos que lhe íam pedindo, ao que ele me respondeu que isso seria fazer parte do circo, de uma palhaçada.

E eu pensei: "caramba, até pode ser palhaçada... naturalmente eu entrei nesse sistema. Mas não serás tu quem se deixa ficar atado num mais intolerante bloco de ideias?
Eu distingo ali 5 anos da minha vida, anos de adolescência e de tudo o que ela implicou na minha vida turbulenta. Quando as revejo, ocasionalmente, ganho tempo para meditar ou pelo menos rir um pouco.
Não sejas radical, moço, nem te deixes ficar preso nas gaiolas do preconceito ou nos critérios de vida do João ou da Francisca ; ri-te à vontade e ri-te de ti com os outros..."

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terça-feira, agosto 17, 2004

Castigar para educar 

(como estou a reparar agora, o post que escrevi não tinha sido publicado. Aqui vai uma nova tentaiva)

 Carmem A. Busko, Olho de Gato
Pronto, não consigo. Sou mole e ela já me conquistou. Veio devagarinho pelo cimo do sofá, e deitou-se no meu regaço. Os seus olhos azuis, a sua estatura de bébe, o seu pelo macio e o seu miar pedindo carinho já deram cabo da minha ira, já me tornaram benevolente quanto ao castigo que estava em curso.
Se alguém que conheço estivesse aqui, diria logo que não serei boa mãe, que não terei autoridade suficiente para educar uma criança. E eu, eu dir-lhe-ia logo:"Ouve lá, a miúda já percebeu, já a castiguei durante umas horitas... Agora já chega, que ela é pequenina e precisa de carinho.".
É indispensável saber mostrar e distinguir o certo do errado – ninguém duvida. Todavia, eu já me acostumei à ideia de que o instinto maternal funciona, até com a bichana, e não engana: permite atitudes ríspidas e a essas não cede!... Mas logo que sente que o castigo está cumprido, rende-se e cultiva o amor – e é com amor e disciplina que nos tornamos, mais tarde, pessoas com a sensibilidade imprescindível para que o mundo se entenda...
Por ser tão óbvio e natural para mim vida no seu conjunto, por me ter guiado desde sempre em curvas de sentidos-apurados e precipícios sentimentais-mas-não-fatais, não me absterei de trocar amor, - ou seja o que for -, quando o sexto-sentido de mim se decidir lançar.
Estou, incondicionalmente, destinada a permitir que as pessoas, os animais, os lugares, os cheiros, e também as coisas, me penetrem, ou seja, não só não me consigo distanciar como gosto das sensações provocadas por tudo o que me circunda. Esse entendimento, esse acordar sempre surpreendente e constante no mundo que SINTO, esse acordo que celebro todos os dias, envolta em sentimentos arrumados e em desmistificações práticas que me asseguram a estabilidade, permite-me ordenar, na estante dos meus afectos, o papel de cada ínfima partícula que me é importante e com a qual sintonizo.


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Animais de estima(destui)ção? 

Jamey Zunz, Shoe Dude
Quero esquecer, quero adormecer e acordar ontem, por favor!
Que maravilha de dia cinzento. Vou até à Seguradora, dizem-me que os papéis estão mal preenchidos. Telefono ao homem que me bateu e digo-lhe que passarei por sua casa. Chego lá, não está. Telefono, não atende. Escrevo um bilhete e volto para casa. Às 17.30 lá me aparece, e diz para eu não estar enervada, que está tudo bem preenchido e que já os entregou na sua. Volto à minha seguradora e tento com que o processo dê início, apesar de eles, desconfiados, me dizerem que poderão surgir problemas. Só daqui a dois ou três dias me arranjarão um carro e, entretanto, conduzirei, entre o trabalho e a casa, o da minha irmã (que bebe mais do que eu!!!) e do qual não tenho os documentos comigo.
Chego a casa, depois de passar pelo banco e entristecer-me, profundamente, com o dinheiro que lá aguarda agitação. Passo por uma papelaria para comprar tabaco, e saio de lá com 2 maços e com "As Mil e Uma Noites" (tenho sempre vontade de gastar dinheiro quando me enervo). Chego a casa, olho para as minhas lindas e novas sandálias Streña, raramente usadas para não se estragarem, e encontro-as roídas pela puta da gata, que já ontem me tinha roído o carregador do tlm. Choro. Vou até ao sapateiro e ele diz que não ficará nada em condições, aconselhando-me a tentar falar com a sapataria que mas vendeu para que as mandem para a fábrica. Novamente em casa, ligo para Coimbra e explico a situação. O rapaz diz que vai tentar, e que agora basta ver se compensará arranjá-las, porque são de um estilista e poderão ficar caras (comprei em saldo e foram caras!). Amanhã terei que passar mais uma sequita nos Correios para as enviar, e gastar o que não tenho com os avisos de recepção (o que vale é que são leves...).
Telefona-me um amigo a chorar, diz que os animais que a sua mãe tem em casa estragaram-lhe a roupa, o seu material de trabalho, de vídeo, as suas ferramentas tecnológicas tão importantes para a sua vida e tão caras. Além disso, deram-lhe cabo da prótese dentária... coitado, ter que aturar as maluqueiras zoológicas da mãe e eu, pelos vistos, também já estou a pagar pelas minhas! Disse-lhe para vir até cá a cima, imediatamente, e descansar daquele cheiro ácido que respira diariamente. Amanhã já deve cá estar e choraremos, muito provavelmente, um no ombro do outro, comeremos a comidinha que estiver na despensa, leremos o livro que comprei e ainda bem que chove, porque as sandálias já foram pró caralho.
Tenho que estudar, mas hoje será impossível. Vou deixar a gata a dormir lá fora, ao frio e à chuva, vou ouvir o melancólico Satie e fumar o resto da marroquina que ainda tenho; jantarei esparregado com arroz integral, beberei vinho tinto e vou pensar que os dias também são bonitos quando estão cinzentos e que, apesar de tudo, e conforme muita gente me diz, eu sou uma gaja com sorte!..

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segunda-feira, agosto 16, 2004

Safei-me de um santo!.. 

Myers Robertson
Ouvi a segunda chamada e decidi atender. Quis vir ter comigo, falar comigo - disse-me. Abri a porta, depois de ele ter estacionado longe, e deixei-o entrar.
A conversa do antes era abundante (mas de rara qualidade), e ontem senti que não me interessava nada por saber das suas novidades. Mesmo assim, começamos nas perguntas do costume "Como está a menina, a esposa, o trabalho, a loja...." e ele "a tua família tá boa? Tens uma gata?... quem é esta, que não conheço...".
Após os 10 minutos de conversa fiada e os 5 minutos de conversa aparvalhada, convidei-o a sair e fiquei aliviada por ele ter sido pai 10 meses depois de conhecer a mulher (quem erra por natureza, não acerta por juízo), por não ser eu quem agora estava em casa aguardando, ansiosamente, pelo maridinho querido, enquanto ele tentava a sua sorte numa casa alheia (aquele que vive de esperança, morre de fome); fiquei aliviada por ter gostado tanto, tanto dele e agora nem desejo ou uma réstia de amor existir nem sequer paciência para o ouvir...(mudam-se os tempos, mudam-se as vontades); aliviada por ter chorado baba e ranho no dia do seu casamento e agora só ter vontade de rir na sua cara (o tempo mata o erro e faz viver a verdade)... sentir que é triste a sua vida (mais vale um tempestuosa liberdade, que uma tranquila escravidão), que é falsa e oca de amor (para grande crime, grande castigo) e que eu, tenha muito ou pouco, tenho verdade (sempre a verdade saiu vencedora), tenho uma consciência limpa que me ergue e me permite tranquilidade (aprende chorando e rirás ganhando).
Posso achar-me feliz pelo que tenho - a falta de atenção que às vezes me dão, o compromisso constantemente adiado, os disparates que aturo - mas é esse pouco-tudo que preenche os olhos de brilho e me arrepia quando penso que brevemente estará bem juntinho a mim. O que tenho é grande porque é sincero, é muito porque é extremamente bom e é pouco porque por gostar tanto, quero sempre mais.
Reflicto, sem me demorar, sobre o ter pouco ou ter muito e mais uma vez procuro na sabedoria popular e encontro a confirmação: está-se melhor sozinho do que mal acompanhado, mais vale pouco, mas bom, quem ri por último, ri melhor e ainda cada um tem o que merece, ahahahahah!!!!

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sexta-feira, agosto 13, 2004

Sextas 

Vejam lá se ou não preciso ter azar...

Sean Hopp, Bloodletting the Demon, Frontier StyleSaio de casa, rumo às praias e fico numa fila de 25 minutos. Encontro a rotunda, vejo que a situação não vai melhorar, dou meia volta e regresso para casa... não há paciência que aguente!!!

Chego a casa, sento-me no maple e, passados 30 minutos tocam-me à porta e perguntam "Aquele carro é seu?". Dá para adivinhar: bateram-me no veículo! Quando atravesso a porta para ver o que se passou encontro um carro enfiado na traseira do meu e o meu enfiado na frente de outro. Reparando melhor, vejo que o meu foi o que sofreu mais: pára-choques, farol, chapa, mala que nem fecha, capô... Quem me bateu disse ter culpa só por ter embatido no meu carro e, com a dona do veículo, minha inquilina (em que o meu embateu), existem assuntos graves que estão a ser tratados em tribunal...

Espero pelo reboque e desespero: a garagem está quase a fechar e o carro não pode ficar nesse estado e na rua durante os próximos 3 dias (aqui é feriado na 2ªf). Lá vou eu a conduzir até à garagem que fica a uma distância considerável e, no retorno, venho a pé pela Nacional...

Depois, ao encontrar um amigo ele comenta "Sabes, hoje é sexta-feira, 13..."

Sabem o que tenho a dizer? É que há dias de manhã / em que um homem à tarde / não pode sair à noite / nem voltar de madrugada...


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quinta-feira, agosto 12, 2004

Vá passear!!! 

Quem vive à mercê de uma vida interior muito desgastante, de sentimentos muito intensos e sempre atrás de grandes desafios... é provável que perca muita energia no caminho. Deveria, pois, apoiar-se mais no corpo, no mundo das sensações - no olfacto, na visão, no tacto, etc - e deixar a alma descansar um pouco.
Na minha opinião, um longo passeio pela natureza resolve o assunto e essa acção reflectir-se-á, não só no seu interior como o interior de quem o rodeia.
Assim, para quem anda sempre de má cara, com os olhos avermelhados de tanto cansaço e para quem se olha ao espelho e quase nem se reconhece... faça um favor ao mundo e a si próprio: vá passear!!!

Elena Getzieh

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quarta-feira, agosto 11, 2004

Em pecado te encontras 

Jan Saudek, Conquest of Paradise
Recentemente, uma célebre animadora de rádio dos EUA afirmou que a homossexualidade era uma perversão: É o que diz a Bíblia no livro do Levítico, capítulo 18, versículo 22: " Tu não te deitarás com um homem como te deitarias com uma mulher: seria uma abominação. A Bíblia refere assim a questão. Ponto final, afirmou ela.

Alguns dias mais tarde, um ouvinte dirigiu-lhe uma carta aberta que dizia:

Obrigado por colocar tanto fervor na educação das pessoas pela Lei de Deus. Aprendo muito ouvindo o seu programa e procuro que as pessoas à minha volta a escutem também. No entanto, eu preciso de alguns conselhos quanto a outras leis bíblicas. Por exemplo, eu gostaria de vender a minha filha como serva, tal como nos é indicado no Livro do Êxodo, capítulo 21, versículo 7. Na sua opinião, qual seria o melhor preço?
O Levítico também, no capítulo 25, versículo 44, ensina que posso possuir escravos, homens ou mulheres, na condição que eles sejam comprados em nações vizinhas. Um amigo meu afirma que isto é aplicável aos mexicanos, mas não aos canadianos. Poderia a senhora esclarecer-me sobre este ponto? Por que é que eu não posso possuir escravos canadianos?
Tenho um vizinho que trabalha ao sábado. O Livro do Êxodo, capítulo 25, versículo 2, diz claramente que ele deve ser condenado à morte. Sou obrigado a matá-lo eu mesmo? Poderia a senhora sossegar-me de alguma forma neste tipo de situação constrangedora?
Outra coisa: o Levítico, capítulo 21, versículo 18, diz que não podemos aproximar-nos do altar de Deus se tivermos problemas de visão. Eu preciso de óculos para ler. A minha acuidade visual teria de ser de 100%? Seria possível rever esta exigência no sentido de baixarem o limite?
Um último conselho: o meu tio não respeita o que diz o Levítico, capítulo 19, versículo 19, plantando dois tipos de culturas diferentes no mesmo campo, da mesma forma que a sua esposa usa roupas feitas de diferentes tecidos: algodão e polyester. Além disso, ele passa os seus dias a maldizer e a blasfemar. Será necessário ir até ao fim do processo embaraçoso que é reunir todos os habitantes da aldeia para lapidar o meu tio e a minha tia, como prescrito no Levítico, capítulo 24, versículos 10 a 16? Não se poderia antes queimá-los vivos após uma simples reunião familiar privada, como se faz com aqueles que dormem com parentes próximos, tal como aparece indicado no livro sagrado, capítulo 20, versículo 14?
Confio plenamente na sua ajuda.

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terça-feira, agosto 10, 2004

Onde é que pensas que vais?!? 

Emil Schildt
Corri para ti, para os teus braços fortes, para o teu corpo musculado e lindo. Queria despedir-me porque vais partir e a minha vontade era seguir contigo para o norte. Gostaria que me tivesses agarrado, me tivesses raptado, me tivesses prendido as mãos e colocasses uma mordaça para me levares... mas não fizeste nada e, pelo contrário, conseguiste ser tão carinhoso e tão sexualmente explosivo que o que deixaste para trás foi uma mulher que vai morrer de tanto amor nos poucos dias infinitos de solidão.
Ia vestida com umas simples calças, uma simples t-shirt sem soutien e um ganchinho no cabelo - seria por isso que o teu olhar, mal me acertou, te denunciou? Ficarás tu mais entesado quando me vês sem as roupas que a todos provocam desejo?
Assim nos reencontrámos. Procurei-te pelas ruas da Sé Velha e encontrei-vos: os teus cordiais amigos, as cervejas e o vinho, os professores e os alunos, os nacionais, os internacionais, os angolanos, os japoneses e os iraquianos... mas foi apenas contigo que eu fui ter, eras só tu quem eu queria para mim, e ter-te-ia rasgado essa camisa janota para saciar a fome que me fazes passar se todos estivessem embriagados o suficiente para eu não ter pudor e te levar para algum beco(caiado de branco, com vasos e flores, lanternas de meia luz entre janelas pequenas, vermelhas...).
Depois, na esplanada, decidiste partir para o nosso ninho e não me levaste... O que se passa contigo, sua ave rara, que ainda não demonstras ao mundo que as minhas mãos são tuas e o teu cabelo é meu? Abandonaste-me no meio dos teus amigos (tão simpáticos e jeitosos) sabendo que eles me iriam emborrachar mas, não satisfeito, ligaste-me dez vezes e enviaste mensagens dizendo que não suportavas mais a vontade... (a tesão andava pelo ar... e não só na tua casa!!!)
Quando abri a porta e entrei com pézinhos de lã, fui-me despindo e, já na cama, pude reconhecer, às cegas, o teu corpo, o teu rabo rijo e pude saborear a tua pele em larga escala. Como estás bom, meu amor... estás perfeito, és um homem delicioso e, cada vez que as tuas mãos, a tua língua, as nossas peles se tocam, acredito mais na possibilidade de existir Deus. É algo que me transcende, essa rigidez… perco o controlo e tanto te agarro com força como deslizo, húmidas e suaves, as minhas mãos, a minha língua pela linha fina da tua pele, pela carne que afasto em busca profunda, pela impenetrabilidade que se rompe com a descoberta de novos caminhos. E a consciência do retorno à realidade? Essa só se ganha quando, após o infinito prazer, nos deparamos com os estragos no quarto... roupa espalhada, almofadas pelo chão, copos caídos, persianas escancaradas...
Hoje não podia acreditar que já tinhas ido e, quando ainda voltaste para mim, para a tua casa (e meu aconchego), com alegria te ofereci os fios de mel que escorreram pelo meu peito e permiti que me lavasses, suavemente, com essa língua. Ai, que saudades vou ter... O que me vai acontecer sem te ouvir, sem te suspirar ao ouvido ou morder os lóbulos das orelhinhas? Que rio serei sem a seiva com que me inundas incessantemente, e sem os teus belos e apetecíveis frutos - frescos, cheirosos, sumarentos?...
Na despedida desejei-te boa sorte com as loiraças e imaginei os latinos que me poderão contentar neste nosso país mas, na verdade e, interessantemente, quero é que regresses intacto, porque eu, imaculada, já me rendi aos teus encantos...

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segunda-feira, agosto 09, 2004

Colher o sossego 

Reno Larson
A partir de amanhã estou eu, oficialmente, de férias. E não, não vou para fora nem sequer ficarei desocupada do trabalho, que as minhas férias são outras...as visitas já se foram, a família e o ranhoso do caniche também, o loverboy vai amanhã e, enfim, terei PAZ. Será o segundo mês de Agosto que passo sozinha em casa, eu e as minhas quatro meninas (a Stone, a Tosca, a Farrusca e a Béu). Assim, ninguém, ninguém me perguntará ao jantar quais os meus desejos de almoço do dia seguinte, ninguém me dirá que é tarde e que devo dormir nem me usarão a internet horas a fio para chats, não ficarei, ansiosamente, à espera do tal telefonema porque sei, de antemão, que talvez receba (apenas) email... o ranhoso não ladrará aos meus ouvidos vinte vezes por dia, nem terei que vir para casa por cortesia....como é BOM estar sozinha, ter a tal paz e sossego, o silêncio; não me precupar por deixar a roupa espalhada pelo chão, a mesa por levantar e poder recomeçar com a minha alimentaçaozinha sem ouvir "isso não sabe a nada, quero comida!". A casa ficará entulhada de desarrumação, que maravilha!
Podem não ser umas férias de sonho, mas é o que se pode arranjar e garanto que me satisfazem, garanto a minha tranquilidade.
Por agora, vou recomeçar o que não acabei ontem...

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Noite de veludo 

Sean Hopp, Portrait of Fadila
Mas que bela surpresa, meu amor...
Primeiro armou-se em esquisito, como se para que eu não continuasse com a esperança da sua fantástica vinda. Depois, à hora certa, apareceu e os meus olhos reviraram a brutal confusão de gente como uma seta, procurando aquela figura masculina e perfeita, o meu nada-tudo, o meu pseudo-qq-coisa.
Comemos a pizza, andamos um pouco a pé e, como se ainda não soubesse dos meus planos (levá-lo para o meu ninho), obrigou-me a convencê-lo a vir até minha casa ver o Dr. StrangeLove...E o que fizemos não foi nada estranho, aliás, é cada vez mais à vontade que o amor é feito e sentido.
Depois de alimentar as fêmeas cá de casa, cortei o ananás, as uvas, as ameixas e as nectarinas - fiz uma salada e dela escorreu o sumo mais doce e fresco que de qualquer barquinha de ovos que havíamos comido antes.
Decidimo-nos pelo "Veludo Azul", bem ao jeito Lynchiano de poder concretizar outras maradices enquanto essa fita se desenrolava e, sentados no sofá, comodamente instalados, deixamo-nos de fitas e as mãos iniciaram a sua jornada.
No início, Jeffrey encontrou uma orelha num descampado e tive logo que examinar uma das orelhas que tinha ao meu lado - para colher semelhanças...com a língua. Ai, a pálida orelha que no filme não tinha vida para escutar, não tinha funcionalidade absolutamente nenhuma a não ser para as formigas, deu aso à que as nossas vivessem loucos e quentes suspiros! A partir daí, fomos tentando encontrar semelhanças nos nossos corpinhos, buscando união e, por várias vezes, durante aquele Veludo Azul, usamos o pause para que ele não terminasse antes de nós.
Verdade seja dita, e com muito gosto, a fita terminou e nós continuamos, amanhã!

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sábado, agosto 07, 2004

Surpreende-me, amor... 

Sophie Thouvenin, Petit Machin
Por uma razão ou por outra, os momentos podem não acontecer, as surpresas podem deixar de o ser...
A verdade é que continuo à espreita e, de tão contente que estou por imaginar a fantástica vinda, o coração palpita a um ritmo supra-normal, as mãos suam e aquele sorriso idiota de quem está apaixonado, nunca deixa de acontecer.
Estou irrequieta, como se fosse uma garota bem pequenina, e olhando para a mesa vazia, construo o jantar de amanhã.

Será que virás?

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Arranjo um buraquinho? 

Misha Gordin, SaturationIsto está difícil... tenho visitas em casa e não tenho coragem (nem indelicadeza suficiente) para as deixar tanto tempo sem a minha preciosa presença.

Tenho saudades de vir até ao blog escrever aquilo que me vai passando na alma. Sinto que há algo que me puxa...será o vício???

Vou ver se arranjo um buraquinho, tem mesmo de ser!!!

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Não sentes o vazio? 

Hippolyte Flandrin, Study of a Young Man Beside the Sea, c.1850

A casa desabitada que nós somos
pede que a venham habitar,
que lhe abram as portas e as janelas
e deixem passear o vento pelos corredores.

Que lhe limpem os vidros da alma
e ponham a flutuar as cortinas do sangue
– até que uma aurora simples nos visite
com o seu corpo de sol desgrenhado e quente.

Até que uma flor de incêndio rompa
o solo das lágrimas carbonizadas e férteis.
Até que as palavras de pedra que arrancamos da língua
sejam aproveitadas para apedrejarmos a morte.

Albano Martins, Poema para habitar

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quinta-feira, agosto 05, 2004

A mini-saia 

Jan Saudek, New York, New York

- Isso são roupas decentes?!? Eu não ando assim na rua com ninguém! Não tinhas mais nada para trazer? Eu não ando assim na rua com ninguém! Não quero saber, vamos aí a qualquer lado comprar umas calças...eu não ando assim na rua com ninguém! Não sabias que não me sinto confortável?... Eu não ando assim na rua com ninguém! Eu não vou a nenhum lado assim contigo...Eu não ando assim na rua com ninguém! E agora, como fazemos? Eu não ando assim na rua com ninguém! Não quero saber nada disso... eu não ando assim na rua com ninguém!

- Ok, desculpa... tens razão. Para próxima, vou tentar lembrar-me da mini-saia...

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terça-feira, agosto 03, 2004

Os anos do Zeca 

José Afonso
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro. Na praça do Rossio, ouviram-se as suas canções pela voz de Vítor Almeida e Silva, cujo timbre quase nos fazia esquecer de que não era o José Afonso quem lá estava...
Depois veio o Godinho, muito bem acompanhado... Como sempre, um senhor que derrete os corações e simplifica a vida...
E agora só um àparte: num dos seus concertos, num dia em que fiz anos, me ti uma e, além de saber as suas letras quase todas de cor, dancei que nem uma lebre. Já foi há alguns bons anitos, lembrei-me enquanto assitia ao concerto e também dançava, mas desta vez as pernas, cansadas, não permitiram mais do que uns leves balanços. Ai, as coisas que a gente faz...
Quanto a Zeca Afonso, morreu quando eu tinha 6 anitos e só me apercebi da sua existência alguns anos mais tarde...nem imagino sequer se a história da lebre se repetiria com o Zeca se, com os meus 17 tivesse assistido a um concerto seu num dia de aniversário...

Por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo / E irmão

Não pôs cravos na lapela
Por trás daquela janela
Nem se ouve nenhuma estrela
Por trás daquele portão...

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domingo, agosto 01, 2004

Segunda-feira 

Pascal Renoux, La peur de BlankaPois é! Trabalho...trabalho incansavelmente, sem parar, várias horas do dia enquanto os outros se divertem!
Muitos já partiram, sente-se o vazio nas casas em redor e o silêncio ensurdece...
Ouço alguém combinar a partida, outros compram passagens para um mundo diferente e alguns nem disseram nada.
Hoje será apenas mais uma segunda-feira de árdua estafa...levantar às 8 da matina, tomar a banhoca e comer o iogurte, a frutinha e os cereais. Junto-lhes duas amêndoas, uma noz, algumas sementes de sésamo e de linhaça e como, enquanto arranjo o farnel para o dia. Corro para o café e peço um copo de água para acompanhar o dito cujo, que tomo cheia de pressa. Meto-me no carro e conduzo a mil à hora, enquanto passo por uns carros com radares, e chego ao sítio do costume 2 minutos antes - mesmo a tempo de dar uma penteadela no cabelo ou colocar uns ganchos no "revoltoso". O resto, nem vale a pena contar...
Amanhã é Segunda-feira... um dia detestável! Só uma coisa me consola...os dois dias seguintes, de folga!!!

Nem todos os dias são dias maus, pois não?

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