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domingo, outubro 31, 2004

Essa bola colorida 

Sára Sadková, The Middle of the World, 2001
Uma mulher nestas condições passa meses sem se conseguir ver, ou melhor, sem ver algumas partes de si, a não ser através de um espelho...



Por outro lado, quem melhor a vê assim é que está habituado a não ver nada disto, mas sim umas formas bastante menos volumosas e mais sexys...



Já sem falar dos pêlos - que esses até se costumam rapar -, estará alguém pronto para enfrentar, dimensionalmente, estas proporções?


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Quantas vidas custou? 

David SlijperJá pensaram vocês que para se fazer um casaco de pele, matam-se 24 raposas ou 65 visons ou 8 focas ou 42 raposas vermelhas ou 400 esquilos ou 30 lontras, dependendo do tipo de casaco?
Há tempos vi numa reportagem a forma cruel de matar visons: todos para dentro de uma caixa metálica a qual era empestada de gazes mortíferos. De repente, o gáz acaba e os carniceiros abrem a tampa para ver se todos os pobres animais pequenitos já estão mortos, nem sequer lhes importando em minimizar a sua dor. É terrível...toda a gente diz, mas na hora da compra ninguém se lembra do sofrimento deles, dos indefesos e inocentes, para o nosso bel-prazer.
Quando há necessidade, impera a lei do mais forte e essa é uma questão de vida ou morte, mas quando não há necessidade e as pessoas são cruéis e praticam ou permitem que se pratique a tortura em seres indefesos, isso é condenável.
Admito que se use peles de animais como a vaca, o porco ou a cabra, porque são animais cuja existência tem a finalidade primeira de alimentar o Homem, um outro ser (mesmo assim... que se faça sem dor!!!). Assim, e falando de uma forma muito fria, esses são animais que não morrem para nos aquecer mas sim para nos satisfazer uma necessidade básica - a fome.
Acredito que podemos fazer um esforço para evitar produtos de origem animal que impliquem o sofrimento desse mesmo animal. Por isso, lá na loja, quando alguma cabra humana me pergunta, relativamente aos casacos de pele expostos são iguais? mas este é mais escuro... eu respondo sabe, a cor de pele depende do sofrimento à matança!

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sábado, outubro 30, 2004

Hei-de lá chegar 

...mas disso estou eu farta de saber!
O entrave para alcançar o meu destino são as más informações que vou recebendo em cada constante viagem ao meu ser.
Quando me encontro pelo caminho pergunto podes dizer-me para onde vou e qual o melhor caminho para lá chegar? e logo ouço vai em frente, é já ali atrás do monte...
E eu ando, ando, ando e nunca é aquele o monte.
Depois ainda dizem que ando tísica, magrinha, só ossos...

pascal Renoux, Lé Chemin

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quinta-feira, outubro 28, 2004

Cisco malandro 

Minix, Am I not the prettiest of them all?Eu, que não tenho estado por cá, voltei ansiosa e cheia de novidades... e tenho um cisco no canto do olho, uma conjuntivite danada e não me parece nada nada nada racional penetrar no mundo virtual.

Estou tão mal, tão mal que toda a gente anda com pena de mim porque pensa que ando a chorar pelos cantos da tristeza...

...e com razão, mas não com a razão dos olhos que apenas me veem sem reparar, diz-se que as lágrimas são a muda linguagem da dor!

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domingo, outubro 24, 2004

G.T.I. ou o picante das 17h 

Hoje estou decidida a escrever algo picante. É que a São anda-se a queixar da minha rara participação n'A Funda São e, uma vez não gosto de decepcionar as minhas amigas boazonas como eu, quero fazer-lhe a vontade.
Pois bem, picante, mas... ando com alguma falta de imaginação ou, por outro lado, tem-me faltado o picanço...

Emil SchildtÁs 17h, ao sair do trabalhinho, tive uma surpresa que me fez brilhar os olhos, avermelhar os lábios, humedecer as partes mais íntimas e espevitar os dois faróis: era ele, o gajo mais lindo, bom e inteligente que eu alguma vez saboreei. Digamos, um G.T.I., quer dizer, Gentle não muito, mas a gente cá se vai entendendo com umas boquitas ora azedas, ora doces como a compota da sua mãe.
Foi uma visita bem curta e mais encurtada quando me virei para ele e disse "anda, vamos, que eu quero ir beijar essa boca boa, mandar uns melos nesses lábios meus!". E pronto, levei-o ao carro, fi-lo entrar e apoderei-me de si, do seu corpo que apertei o mais que pude. Apalpei aquele rabo rijo enquanto a minha língua lavava o seu pescoço e os meus dentes mordiam os seus lóbulos. Entretanto, e já sentada ao seu colo, costas apoiadas no volante, mãos puxando os caracóis, os nossos corpos quase eram um, não fosse a quantidade de gente que passava a caminho do shopping...
Quem me dera ser surpreendida desta forma todos os dias, embora, como é de prever, se isso me acontecesse diariamente, perdia a graça, deixava de ser uma surpresa para se tornar numa rotina de melos bons, de apalpanços suados, de mordidinhas arrepiantes, de rigidez perturbante - uma espécie de tesão das 17h... ai, que aborrecida que pode ser uma rotina destas, não é?


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Ao Domingo vou ao C.C. 

Hei, vocês aí, aninhados em mantas e em robes quentinhos enquanto a chuva cai lá fora, vocês que não têm nada para fazer e que me provocam a infeliz inveja: deixem-se ficar em casa, perto da lareira, assem umas castanhas que já as há, vejam uns filmes, leiam um pouco, joguem, limpem até a casa mas, por favor, não pensem em compras hoje, que já basta o pessoal das aldeias que vai ao Domingo ver a moda no Centro Comercial.
Quase morro, detesto, odeio ter que trabalhar ao Domingo. Já acordo cansada, já vou mal-disposta. Bem, pode ser que falte a luz, sim, S. Pedro, sim!...

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sábado, outubro 23, 2004

Hormonas, para que vos quero? 

Ernesto TimorPrimeiro foi no queixo, depois na testa, agora já é por toda a cara. Acne, eu??? Nem pensar, por favor!!! Eu, que sempre me gabei da minha pele, olho-me ao espelho, com esta idade, com vontade de chorar...
Cabeluda, eu? Vangloriava-me por não ser peluda como a minha irmã, fartava-me de rir por ela andar, constantemente, com a pinça na cara. Agora quase tenho pêra... quero chorar!!!
Dores? Ui, nem sabia o que era isso! Agora apetece-me partir a casa toda, apertar com a força máxima qualquer coisa, quase expludo com tanta dor...
Sangue? Era só por dois dias... agora são enchentes de sete ou mais dias...
Pílulas, químicos? Pois, hoje drogo-me com caixas de ben-uron...

Está decidido: bendita seja a Yasmin e as drogas que nos ajudam a ser belas e a não sofrer!!! Que se lixe o ser-se natural, que se lixe não se meter químicos para o corpo, que se lixe tudo, que isto de ser mulher é mais complicado do que parece!!!

Vá lá, ao menos a má disposição mantém-se...

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...em todas as direcções! 

Lorena Guillen - Vaschetti, Painted Rituals VII

Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direcções!

Álvaro de Campos, in "Afinal"

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quinta-feira, outubro 21, 2004

Jogada de mestre! 

Há dias mais felizes do que outros... se o Benfica continua assim, ainda me (o)caso este ano!

E por falar em casamentos, fiquem lá a saber que por pior jogador que se seja, está-se sempre a tempo de ganhar o jogo, mesmo que não se saia vencedor...

Paula Rego, NoivaNum casório, lá prós lados de qualquer lado, com cerca de 300 convidados, passou-se uma história do arco da velha!..
Depois da cerimónia matrimonial, e já depois de todos terem enchido o bandulho, o noivo, Zeca Pedra (nome fictício), levantou-se, foi até o palco e pegou no microfone.
Disse que queria agradecer a todos por terem vindo, alguns mesmo de tão longe, para assistir ao casamento, e especialmente, ao sogro, por ter oferecido e proporcionado uma festa assaz espetacular.
Grato pelos presentes que os noivos tinham recebido, disse-lhes que queria oferecer um presente especial e pediu a cada um que abrisse o envelope que estava colado debaixo da cadeira.
E assim foi. Todos misteriosos e deleitando-se com a originalidade, lá abriram o dito cujo. Dentro de cada sobrescrito havia duas fotografias de um dos padrinhos de casamento a ter relações sexuais com a noiva!
Parece que o corno tinha suspeitado da relação dos dois semanas antes do casamento e contratou um detective para os seguir, que lhe confirmou as suspeitas.
O noivo ficou durante alguns segundos a observar as reações dos convidados. Depois, virou-se para o padrinho e para a esposa Lili (novamente, nome fictício) e disse-lhes para curtirem a festa, indo-se embora e deixando para trás uma multidão estupefata. Teve o casamento anulado dois dias depois.

Aquilo é que é um Homem, carago! Deixou a situação ir para a frente como se nada tivesse acontecido.

A vingança:

- Fez com que os pais da noiva pagassem um balúrdio por um casamento para mais de 300 convidados;
- Fez com que todos ficassem a saber exatamente como é que as coisas aconteceram;
- Acabou com a reputação da noiva e a do padrinho perante todos os amigos e familiares.

E então? Que ganda jogada, sim sr!!! Um pouco porquita, mas a Lili e o seu fifi bem que mereceram, não foi?!?

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quarta-feira, outubro 20, 2004

Ainda faltam 3 horas... 

Que a verdade seja dita, não se deve exagerar no trabalho pois corre-se o risco de nos chamarem burros. Ganhamos stress, dores de cabeça e de costas, chegamos cansados a casa e mesmo assim nunca temos dinheiro para nada, enquanto vimos os outros com uma vida arregalada a passearem-se nos seus belos carros...

A produtividade é baixa? A precariedade do trabalho e a consequente falta de segurança, os baixos salários e a consequente falta de motivação, a falta de formação, a incompetência generalizada de quem não sabe mandar, a inveja e a crítica constantes de quem é mandado, e talvez mesmo os genes dos portugueses que vivem em Portugal são alguns dos factores decisivos para a baixa produtividade que Portugal enfrenta.

Mas a culpa nunca é nossa, que se analisarmos bem a história, estamos condenados desde os Descobrimentos, passando pelas Invasões, dando uma curva acentuada com a Inquisição, descendo sobre as lutas e exílios reais, sobre as regências ineficientes e sucessivas governações e, não menos importante e mais actual, a globalização à qual, e infelizmente sendo nós tão pouco competitivos, estamos atados.

O que vale é que isso nunca se passa com a gente, que lá no nosso escritório trabalhamos que nos fartamos...




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Take it easy!... 

Gianluca Mandanici, Asinelli




Aquele que, ao longo todo o dia:

É activo como uma abelha,

Forte como um touro,

Trabalha que nem um cavalo,

E que ao fim da tarde se sente

Cansado que nem um cão,

Deveria consultar um veterinário.

É bem provável que seja burro!




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segunda-feira, outubro 18, 2004

Análise do protagonismo 

Mandar boquinhas é reles, ter peneiras é asqueroso, rebaixar os outros mostra baixo nível, não os colocar à vontade é falta de educação e pensar que eles são parvos é burrice. Há tanta gente assim...

Japi HonnoPermitimos situações para que não tenhamos de nos aborrecer - fazemo-nos de parvos. Acontece-me algumas vezes, não pela suposta parvoíce, mas pela maneira de analisar as pessoas e ceder, ou não, a quem me circunda, a confiança. Não procuro conflitos mas sim paz, tranquilidade.
Tantas vezes prefiro fazer que não percebo, fazer de conta que não ouço... Contudo, percebo tudo, ouço tudo. Cá dentro existe uma paciência do tamanho deste mundo e de todos os outros e, se algumas vezes desculpo, outras vou permitindo as boquinhas - acumulo-as e, um dia, quando menos se espera, já não há retorno: ou expludo por não aguento mais e o faço tão pequeno como uma formiga (em tamanho, que a formiga é um grande ser!) ou, muito calmamente, levo-o a aperceber-se, pela indiferença, que jamais terá, novamente, a minha confiança. Ou seja, quando o clique em mim se dá, sou, a partir de então, fria e implacável o suficiente para não ceder nem sequer uma bóia de salvação.
Outra situação é o facto de eu não ser muito extrovertida. Quando estou num jantar em que só conheço uma pessoa, por exemplo, e principalmente quando são pessoas muito eloquentes, pseudo-intelectuais, "gente fina, chique e culta" quem, na maioria, está sentado à mesa, deixo-os intervir, ser protagonistas, que de teatro percebo eu bem... lá por estar calada não quer dizer que seja parva ou burra, não quer dizer que não consiga atingir as suas sábias conversas. Estou a analisá-los e riscá-los-ei da folha da minha vida imediatamente, acaso conclua, após minuciosa análise - quer do seu paleio, quer da sua maneira de estar, quer da sua interacção com os restantes -, qualquer tentativa de superioridade ou gozo.
Tenho uma aversão a gente que não é frontal, gente que não é simples - simplesmente abomino-os, porque eu não sou assim! Por mais que me custe, acabo por ir directa ao assunto! O que mais me importa é ser obrigada a suportar e a responder a maquiavélicos jogos!...

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domingo, outubro 17, 2004

Obrigada, meu deuz zzz 

Ewa BrzozowskaOntem, depois de uma noite bem passada e bem bebida, aconteceu.
Sai-se a mil à hora de casa, entra-se na Nacional a 80 e lá se chega ao destino uma hora depois. Pensa-se muito, que viagens solitárias são, por excelência, grandes templos em que nos tentamos encontrar e alcançar a unidade das ideias.
Entrei em sua casa e, resumidamente, deitei tudo cá para fora. Deitar tudo cá para fora em palavras, ora está claro, que muito mais poderia eu deitar se de mim deixasse fluir o sólido, o líquido ou o gasoso, ou até algo mais, porque de dentro de nós sai muito do que não transparece perante um espelho.
Estava dito. E saimos para jantar.
Começa-se com uma feijoadinha para confortar a barriga e passo para o salmão. Para beber, tinto. E lá vai uma, lá vão duas, e lá iriam três se o Caipira não estivesse já a perder a sua graça e, já agora falando de graça, era eu a única por quem todos se podiam engraçar. Havia já algum tempo em que não estava num sítio povoado unicamente por homens, e não acho lá grande graça, principalmente porque é habitual isso acontecer em sítios em que os homens não passam de piadas...
Combinámos, então, encontrarmo-nos na Praça para encetar a terceira. Desta vez era Conventual e escorregava que nem uma Tapada de Coelheiros, ou seria que nem uma Periquita? Não interessa, a essa altura da noite já qualquer Caramujeira seria um bom escorrega.
Passa-se para o café. Pede-se um whisky, do bom. Fuma-se muito, fala-se muito e até se dizem umas coisas interessantes, não estivesse eu acompanhada de três homens também eles interessantes...
Depois decide-se pegar no carrito e... barco. Ainda me lembro do tal Síndrome Vertiginoso, e achei por bem não me entusiasmar com a ondulação, não fosse a história repetir-se como, indubitavelmente, teima! E, deste modo, bebi apenas mais um whisky, nada de mais, apenas mais bem servido e tive o prazer de dançar uma boa meia-horita sozinha na pista.
Depois do tanto que escorregou, decidi ir eu escorregar, novamente, na casca da sua banana. Pois não é que, pelo caminho, e pela primeira vez na minha vida fui parada pela polícia? Que merda, via a minha vida andar para trás. Peguei nos documentos e pensei, Não vale a pena mentir, merda, devia ter vindo de saias... Baixo o vidro, documentos na mão e diz o senhor da farda azul-escuro, Boa noite, tem algum problema com as luzes? Poing!!!! Que tã-tã, sinceramente, onde é que eu ando com a cabeça?!? Disse logo que tinha acabado de pegar no carro, como era verdade, e que as luzes da avenida não me haviam causado, ainda, necessidade de ligar as luzes do meu... Lá me deixou seguir, se mais perguntas, SEM MAIS NADA! Tenho mais sorte que os cães, eu sou uma gaja com sorte, e em cada dia que passa isso se confirma. Aconteceu.

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sexta-feira, outubro 15, 2004

Agora é a minha vez! 

Tem uma pessoa que esperar 28 dias para ter dois assim...
Vou de FIM-DE-SEMANA, upa, upa!!!

I ain't happy, I'm feeling glad
I got sunshine, in a bag...

Pascal Renoux,Canalha


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i limitada mente 

Matthew Fuller, Nude Study 40
Parece-me que muita gente ficou escandalizada com o post anterior…ou então, estou a perder a minha graça e nem dou por ela!..
O que tenho a dizer? Não muito. Mas vale a pena lembrar que eu não sou uma menina bem comportada e que, por acaso, ainda hoje entrei numa sex shop.
Ás vezes uso o erotismo, outras vezes dá-me para ser mesmo carnal e deveras brutal. Tanto sou algo conservadora como uma fera solta, depende dos dias e dos apelos visuais, sonoros ou sensitivos que me trespassem a mente e a pele, sim, a minha pele.
Não sou preconceituosa e não vejo mal nenhum em colocar uma fotografia erótica envolvendo duas mulheres... Podiam ser dois homens. Podiam ser vários, ou várias. Eu não tenho culpa destes meus desvairos, das minhas loucuras reais ou nem mesmo daquelas que só em pensamento vão crescendo. Devo deixá-las fluir ou reprimi-las?
O prazer lá tem os seus limites mas, por favor, que ninguém se deslize com os limites dos outros…
Cá para mim, às vezes esqueço-me que não devo nada a ninguém, salvo aos inegáveis sangues do meu sangue, e dou por mim a seguir normas de outros, mesmo que não impostas. Talvez seja por já ter criado uma empatia com muita gente... Dou por mim a preocupar-me com os comentários, com as visitas, com o contrário fundamental da criação deste blog! Não pode ser. Desculpem-me, exilem-me, mandem-me pró desterro, mas eu não posso deixar de ser o que sou aqui, aqui, aqui.

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quinta-feira, outubro 14, 2004

Jan Saudek, It Touches My Very Soul, 1985

Ó abelha, boca de mel, carmim, carnuda, vermelha
Ó abelha rainha faz de mim um instrumento do teu prazer...

Caetano Veloso

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Faça assim... 

Maggie Taylor, Just Before DawnHoje em dia há manuais para tudo, desde aqueles que nos ensinam a pregar em paredes rugosas, passando por aqueles que nos indicam como fazer um aborto, até aos que que nos ensinam a beber correctamente um copo de água.
Nem contando muito com aqueles que servem como auxiliares ao estudo ou aos específicos de cada profissão, quero referir-me, sim, ao exagerado, e nem sei se necessário ou não, número de exemplares que nos vão simplificando a vida através de técnicas, demonstração de opções e consequentes resultados.
A vida competitiva e consumista que levamos no dia-a-dia impoe-nos a necessidade de querer saber tudo, de estar apto para tudo, correndo o risco de sermos ultrapassados por um outro qualquer que está na bicha à pouco tempo...
Tudo bem, obviamente e felizmente facilitam-nos a vida, tornam-na prática - e de que maneira!... Mas, atenção: convém não esquecer de usar a cabecinha e o instinto... Quero dizer, convém que não nos agarremos demasiado à resposta sempre nas mãos, facilitada com um folhear de páginas poucas. Sejamos astutos e tentemos ter gosto na maior parte de todas as pequenas acções (rotineiras ou não) que vamos cumprindo. Capacidade para conseguir vencer as adversidades - poucas ou muitas, grandes ou pequenas - e um sorriso certo de que se vai conseguir!

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terça-feira, outubro 12, 2004

Retrato de uma princesa desconhecida 

Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa

Lilya Corneli


Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos


Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino


Sophia de Mello Breyner Andresen


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Será que é desta? 

Pode ser que muito em breve eu tenha alguma grande, grande, grande e boa novidade para dar.
Não vou contar para não criar grandes expectativas, aliás, nem quero sonhar muito, que é sempre melhor contar com o pior, como dizem algumas pessoas.

Posso, sim, dar algumas pistas:

- tem a ver com a infância;
- tem a ver com mudar de vida;
- tem a ver com mudar de terra;
- tem a ver com responsabilidade acrescida;

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segunda-feira, outubro 11, 2004

...mas isso não me tira o direito de ficar triste quando sou mal compreendida.

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Eu sei que é assim... 

Anne Worbes, SheAnne Worbes, HeAtenção! Eu estava a brincar quando escrevi o último post. Não acredito que o que foi dito ainda tenha uma elevada dose de veracidade, isto porque nós, homens e mulheres do século XXI, somos indivíduos MODERNOS...
Muitas das atitudes que tomamos ainda são restos de milhares e milhares de anos em que o homem caçava e em que a mulher era a guardiã das suas crias - restos de épocas em que éramos ainda primitivos, vivíamos em cavernas e em que a nossa vida era pouco diversificada.
Sem dúvida alguma, podemos constatar essas heranças se repararmos na capacidade que o homem tem para se concentrar e consertar qualquer porta mal encarada e na capacidade que a mulher para estar sempre alerta, como um radar, quando os putos estão a brincar na praia. E como estas diferenças, há inúmeras outras que podem provar que somos seres humanos com características natas antagónicas e, o melhor de tudo, características que se complementam. Vale também a pena referir que as excepções confirmam a regra e, portanto, há mulheres que conduzem melhores do que os homens e homens que têm mais jeito para a lida da casa do que as mulheres.
Para que o mundo humano e, principalmente o nosso pequenino mundo de relações sociais, familiares, profissionais e amorosas, seja harmonioso (como eu gosto desta palavras!) convém apercebermo-nos das dissemelhanças entre os sexos, tal como reparar que uma mulher precisa de bastante atenção, reconhecimento e mimos, enquanto que o homem precisa de descanso (descanso do guerreiro...), de se armar em machão em conversas com os amigos e de acreditar que consegue chegar ao destino sem perguntar a ninguém...
O que é essencial é vivermos em paz e, certamente com alguma astúcia, é possível evitar uma série de discussões e desavenças como "não me chateies" ou "não me ligas nenhuma". Talvez se ele lhe der um pouco mais de atenção depois de ela o deixar descansar... topas?

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domingo, outubro 10, 2004

Que satisfação!... 

- És um nulidade como amante - diz ela.
- Como é que podes dizer uma coisa dessas ao fim de dois minutos?

É por essas e por outras que resolvi mencionar algumas dicas com vista à melhoria das relações entre sexos opostos:



Father-in-law and Daughter-in-law, 1988COMO SATISFAZER SEMPRE UMA MULHER:

acariciar, reparar nos pormenores, encantar,
cortejar, ser simpático, fascinar,
saborear, elogiar, cuidar,
massajar, encorajar, ter confiança,
alimentar, acalmar, defender,
provocar, fazer rir, santificar,
estimular, acarinhar, admitir,
consolar, beijar, estragar com mimos,
ignorar os pontos fracos, excitar, embalar,
proteger, telefonar, antecipar,
enroscar-se, perdoar, morrer por,
divertir, sonhar com, excitar,
gratificar, apertar, ceder,
idolatrar, dar atenção, adorar...




Father-in-law and Daughter-in-law, 1988COMO SATISFAZER SEMPRE UM HOMEM:
















aparecer nua.

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quarta-feira, outubro 06, 2004

Cheira-me a... 

Christopher Schneberger, Best FriendsOs cheiros são uma coisa fantástica, "fenomenástica", como diria já não sei quem. Transpostam-nos de país em país quando se come um chop soy ou uma chamuça; de região em região, como os pinheiros cá de cima ou as ervas rasteiras da minha terra. Lembram-nos pessoas, tempos e até o estado do tempo. Os cheiros da pele, do cão, do vinho e da má disposição, os cheiros da praia e do bolinho da avó guardado numa gaveta, da roupa lavada e dos livros novos, da dor no hospital ou do café que ainda não tomámos são de tal forma fortes que se encarregam de trazer à tona memórias, de incitar atitudes ou acções e de nos matarem, mesmo que momentaneamente, as saudades.
O olfacto é, sem dúvida alguma, o meu sentido mais apurado e, assim, o primeiro dos sentidos.
Hoje, quando entrei no carro depois de um dia de trabalho, reconheci, imediatamente, o cheiro dele, do meu bonitão. É incrível que isso tenha acontecido, porque ele não entrou no meu carro. Deduzo que tenha sido a mala, a minha mala de viagem que, tal como eu, o visitou já ía tarde a noite de ontem. Por várias vezes, durante o percurso de regresso, o seu cheiro entupiu-me de saudades, fez-me pensar, pensar, pensar e, quando dei por mim, já fechava a porta do carro, de nariz empinado, prestes a seguir pelos trilhos de outras fragâncias...
Se por acaso eu fosse o Alberto Caeiro sería mais simples a minha vida - dizia ele que "pensar é estar doente dos olhos", neste caso, do nariz. Ai, mas como isso é enganador, pois nem ele nem eu - que sou uma apologista dos sentidos - nos conseguimos libertar do que os olhos, o nariz, os ouvidos, o toque, o paladar ou as impressões do tal sexto sentido nos provocam e que, consequentemente, nos guiam à interpretação!..
Acreditar que é possível desrespeitar as sensações, cedendo o pódio à razão, é iludirmo-nos - jamais escaparemos aos estímulos dos sentidos e, quando o pretendemos, é como se nos engaiolassemos, como se tivessemos que seguir por um determinado caminho com uma pesada e quente armadura de ferro.
O ideal para si cada um o procurará... quanto a mim, permitirei que o cheiro que a mala trouxe da casa dele me transporte até si e, certamente sem me importar com o mal ou com o bem que isso me faz, vou pensar, com saudades, na razão dessas mesmas saudades.

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terça-feira, outubro 05, 2004

After-hours 

Lars RaunChego de manhazinha à praia e levo a Tosca. Procuro o posto4, mas será a música, as batidas do som que me conduzirão até à festa.

Bom dia!
Bom dia!
Sempre vieste?
Sim, e bem fresquinha!

Depois pousam-se as malas, os casacos, dá-se uns beijinhos, e dança-se, dança-se muito.

Não fosse o resto, e este teria mesmo sido um grande dia de folga...

don' worry
isto passa
o tempo cura
a gente cresce
sorri
be happy

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sexta-feira, outubro 01, 2004

Posso ir de vez?.. 

Khrass, DramaAgora que a minha chefe foi despedida (ahahahah, a justiça tarda mas sempre chega!), tenho um novo (e bastante jeitoso, por acaso) chefe. Com ele, vieram uma série de normas que antigamente eram negligenciadas.
Pois bem, a primeira é que temos de informar o chefe sempre que quisermos comer:

- Onde vais?
- Vou comer uns restos que trouxe de casa: couve-flor com brócolos, cebola, nabos, cenoura e feijão - uma mistela bem ao meu gosto, não sei se está a ver -, juntamente com uns restos de pescada que eram para a gata, mas que ainda consegui deter a minha mãe a tempo. Trouxe também uma maçã bem escolhida entre as que já estavam meias podres porque a minha mãe tem a mania de comprar tudo em exagero… posso ir?

A segunda é informar sobre as idas à casa-de-banho:

- Onde foste? Já disse que é obrigatório dizer onde se vai!
- Fui ao WC com a intenção de defecar. Pelo caminho consegui libertar-me de quatro flatulências silenciosas e, após levantar a saia, baixar as meias e as cuequinhas apenas consegui enviar 2dl de urina bem amarelada pela sanita a baixo. Quanto às fezes, estava enganada: apenas consegui expelir mais duas flatulências, desta vez sonoras. Já posso ir?

A terceira norma é mostrar sempre o saco à saída:

- O que levas aí dentro?
- Nada de mais: duas meias fedorentas, papel de alumínio das sandes para colocar no contentor ecológico, a farda, uns brincos que comprei na loja do lado, uma lingerie para surpreender o meu namorado esta noite quando lhe fizer uma surpresa, umas algemas, um pacote de lencinhos, um livro do Saramago com desconto, um tampão para o imprevisto, um maço de tabaco, um desodorizante, uma caneta, um bilhete para a Maria Rita, um taparuer, um garfo, a caixa das lentes, um bloquinho de apontamentos, uma caixa de pensos rápidos por causa da merda de sapatos que vocês me obrigam a calçar e uma bisnaga de base para esconder os efeitos do cansaço. Posso ir?

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Livro de queixas, s.f.f.! 

Vieram queixar-se de que eu me queixo muito. Talvez seja melhor arranjar um outro blog para me queixar menos, talvez um blog em que quem se queixe não tenha oportunidade para se queixar mais! Ou virar-se-á o feitiço contra o feiticeiro e terei eu que começar a queixar-me das suas queixas?

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